Internacional Ocidente se revolta com embaixador russo em reunião do Conselho de Segurança da ONU

Ocidente se revolta com embaixador russo em reunião do Conselho de Segurança da ONU

Enquanto Rússia acusa Ucrânia e EUA por laboratórios biológicos, resto do mundo critica ações de Moscou nas Nações Unidas

AFP
Embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia é visto com maus olhos por colegas ocidentais

Embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia é visto com maus olhos por colegas ocidentais

Timothy A. Clary/AFP - 11.3..2022

A indignação ocidental ecoou nesta sexta-feira (11) na reunião do Conselho de Segurança da ONU convocada pela Rússia para denunciar a "eliminação" por parte de Kiev de "restos" de supostos experimentos em laboratórios com patógenos biológicos, no momento em que cresce a preocupação sobre o possível uso de armas químicas em território ucraniano.

O embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, na qualidade de presidente do Conselho de Segurança, convocou esta reunião sobre armas biológicas. Nela, repetiu as acusações contra os Estados Unidos e sua suposta cooperação em "30 laboratórios biológicos" na Ucrânia, que trabalhariam com agentes de "peste, antraz ou cólera" para fabricar armas.

Por sua parte, a embaixadora americana, Linda Thomas-Greenfield, assegurou que "a Ucrânia não tem programas de armas biológicas, nem existem laboratórios de armas biológicas apoiados pelos Estados Unidos no país".

Thomas-Greenfield recordou a “longa história da Rússia de acusar outros países de violações que ela mesma executa” antes de alertar sobre as “sérias preocupações de que a Rússia esteja planejando usar armas biológicas ou químicas contra os ucranianos”.

Para sua colega britânica, Barbara Woodward, trata-se de "teorias da conspiração infundadas e irresponsáveis", e o Conselho não deve servir para ouvir "propaganda interna russa" e sua estratégia de "desinformação".

Muitos dos 15 membros do Conselho de Segurança não esconderam seu espanto com a convocação para esta reunião: "Se eu soubesse, não teria vindo", disse um diplomata que preferiu não se identificar.

Arte/R7

"O Estado agressor voltou a dar um tiro no próprio pé com esta reunião", disse o embaixador ucraniano, Sergiy Kyslytsya, que relembrou "o delírio" e as "mentiras" russas que sugerem que a grávida ferida em um atentado ao hospital Mariupol, cuja foto circulou o mundo, era uma "atriz".

A mulher, chamada Mariana, "deu à luz uma menina saudável de nome Verônica", disse o embaixador, que lamentou a "instrumentalização" do Conselho de Segurança por parte da Rússia.

Lembrando que a guerra está entrando na terceira semana, a secretária-geral adjunta da ONU para Assuntos Políticos, Rosemary DiCarlo, condenou a conduta da Rússia na guerra. "Atacar civis, hospitais, escolas é imperdoável, e seus perpetradores devem ser responsabilizados", alertou.

Moscou nega que tenha iniciado uma guerra e descreve a invasão da Ucrânia como uma "operação militar especial".

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