Onda de ataques a escolas aterroriza pais, mobiliza mais de 20 mil policiais e gera dezenas de prisões na Polônia
Terceiro ataque ocorreu neste sábado (10), após dois episódios registrados na quarta (7) e na quinta-feira (8)
Internacional|Do R7, com Reuters
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A polícia polonesa informou, neste sábado (10), um dia após uma grande operação contra a chamada “Sexta-Feira Sangrenta”, que uma terceira escola foi alvo de ataque no país, informou a agência Associated Press.
De acordo com a AP, uma mulher de 21 anos feriu três pessoas dentro de uma instituição de ensino superior na capital, Varsóvia. A agressora não conhecia nenhuma das vítimas, segundo a polícia.
O ataque ocorre um dia depois de milhares de policiais poloneses irem a escolas em todo o país na sexta-feira (9), numa tentativa de tranquilizar os alunos perturbados por rumores de que uma semana marcada por dois ataques com faca entre adolescentes em dois dias terminaria com uma “Sexta-feira Sangrenta”.
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As redes sociais na Polônia foram inundadas com rumores de um suposto desafio online que poderia estar por trás dos ataques e que culminaria em um banho de sangue nas escolas na sexta-feira, mas a polícia afirmou que suas investigações não encontraram nenhuma evidência disso.
Mais de 20 mil policiais haviam sido mobilizados e, de acordo com a AP, verificaram cerca de 50 mil escolas e prenderam 76 pessoas, principalmente por fazerem ameaças online, disse o ministro do Interior, Marcin Kierwinski, em uma coletiva de imprensa.
“Não haverá meio-termo aqui — a segurança dos jovens é o mais importante”, disse ele.
A ministra da Educação, Barbara Nowacka, afirmou que 59 escolas em todo o país foram fechadas, principalmente na região da Mazóvia, onde ocorreram os ataques desta semana.
Série de ataques
Na quinta-feira (8), um ex-aluno de 15 anos, com uma câmera acoplada ao capacete, matou um funcionário e feriu outros dois em uma escola primária polonesa em Leszczydol-Nowiny, a nordeste de Varsóvia.
Na quarta-feira (7), um jovem de 19 anos feriu 10 pessoas, incluindo a si mesmo, em outra escola em Ostroleka, ao norte da capital.
Em Ostroleka, as escolas estavam funcionando normalmente, mas a frequência era de 25%, disse o prefeito Pawel Niewiadomski, citado pela agência de notícias estatal PAP.
Em Varsóvia, Dorota Czekaj, de 59 anos, gerente de uma ONG e mãe de quatro filhos, disse à Reuters que os eventos da semana a deixaram “simplesmente aterrorizada”. Ela pediu uma resposta rigorosa ao conteúdo online que possa incitar a violência.
“O acesso ilimitado a todo tipo de conteúdo, alguns deles muito negativos, certamente afeta nossos cérebros e contribui para uma dessensibilização social generalizada de alguma forma”, disse ela. “E acho que simplesmente precisamos responder a isso com mais firmeza.”
Alerta das autoridades
As autoridades alertaram a população sobre os riscos da desinformação online, com o Ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, sugerindo que a Rússia poderia usar tais eventos para semear o pânico.
A Rússia negou repetidamente ter tentado desestabilizar outros países usando desinformação online.
Entretanto, a polícia anunciou uma série de prisões ao longo da manhã.
Entre os casos, estavam o de um jovem de 13 anos de Varsóvia que postou uma foto de uma faca em um grupo de bate-papo da turma e ameaçou outros alunos; o de um jovem de 14 anos de Varsóvia detido nas dependências da escola com uma faca e fogos de artifício; e o de dois jovens de 15 anos do condado de Pruszkow, nos arredores da capital, que postaram um vídeo com ameaças de morte.
Diversas contas de redes sociais publicaram na quinta-feira fotos de uma conta do TikTok que supostamente pertencia ao agressor de Leszczydol-Nowiny e continha imagens tiradas pouco antes do incidente. A Reuters não conseguiu encontrar a conta, que aparentemente foi desativada.
“Agentes do Departamento Central de Combate ao Cibercrime (CBZC) estão cientes do conteúdo publicado na conta do TikTok em questão”, disse o CBZC à Reuters por e-mail, acrescentando que está cooperando com a plataforma.
O TikTok não respondeu ao pedido de comentário enviado por e-mail.
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