Oposição acusa Cartes de titubear diante de pressão de Brasil e Argentina
Internacional|Do R7
Assunção, 5 dez (EFE).- O titular da comissão de Relações Exteriores do Senado no Paraguai, o senador de oposição Miguel Saguier, acusou o presidente Horacio Cartes de ceder "diante da pressão do Brasil e da Argentina" pelo envio hoje ao Congresso do protocolo de entrada da Venezuela no Mercosul. Saguier disse à agência Efe que o comitê político do Partido Liberal recomenda a seus senadores que peçam a criação de uma comissão que avalie a situação da democracia e os direitos humanos na Venezuela, antes de votar o protocolo de adesão desse país. O Partido Liberal conta com 13 das 45 cadeiras do Senado, e só conseguiria bloquear o projeto de lei se conquistasse aliados. O presidente do Senado, o colorado Julio César Velázquez, garantiu haver suficientes votos para a aprovação do projeto de lei, com as bancadas da Frente Guasú (cinco senadores), ao que pertence o ex-presidente Fernando Lugo, de Avança País (dois), de Unace (dois) e do Partido Colorado (19). Cartes, que pertence a esse partido político, remeteu hoje ao Legislativo o protocolo para resolver a questão jurídica surgida no Mercosul, que aproveitou a suspensão temporária do Paraguai para incluir a Venezuela. Segundo os estatutos do grupo, os Parlamentos de todos os países-membros devem aprovar a entrada de um novo parceiro e o Senado paraguaio bloqueou durante anos a entrada da Venezuela. Argentina, Brasil e Uruguai incorporaram o país aproveitando a ausência do Paraguai, suspendo em punição a cassação do ex-presidente paraguaio Fernando Lugo em um controvertido julgamento parlamentar. A suspensão acabou quando Cartes, eleito democraticamente, tomou posse em 15 de agosto, mas seu governo decidiu não participar das reuniões até revisar "todas" as decisões tomadas em sua ausência. "É uma hesitação diante da pressão do Brasil e da Argentina", criticou Saguier . O documento assinado pelo líder foi enviado hoje para as Comissões de Assuntos Constitucionais, Defesa Nacional e Polícia, Legislação, Codificação, Justiça e Trabalho, e a de Relações Exteriores e Assuntos Internacionais. As comissões podem tratar do tema semana que vem e o texto pode chegar ao plenário na sessão ordinária de quinta-feira, ou até antes, em sessão extraordinária, disseram fontes legislativas. EFE sct/cd










