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Oposição venezuelana diz que auditoria envolve recontagem parcial dos votos

Internacional|Do R7

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Madri, 22 abr (EFE).- A oposição venezuelana tem "esperança posta" na auditoria que, segundo o partido Primeiro Justiça (PJ), resultará na recontagem parcial dos votos das eleições gerais e demonstrará que seu candidato, Henrique Capriles, foi o vencedor. Durante uma entrevista oferecida hoje em Madri, o deputado Tomás Guanipa, do PJ de Capriles, denunciou a "severa crise" política e institucional que seu país atravessa após as eleições, nas quais Nicolás Maduro, "herdeiro político" de Hugo Chávez, venceu com uma pequena vantagem sobre o líder opositor (1,83%). Guanipa esteve acompanhado por Edmundo González, coordenador do enlace internacional da "Mesa de Unidade Democrática" (que aglutina a maior parte das forças de oposição), e pelo deputado da Ação Democrática, Ángel Medina, que denunciaram "várias irregularidades" eleitorais e a "repressão" exercida pelo governo. Diante da insistência da oposição em pedir uma recontagem dos votos, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) anunciou na última semana uma auditoria sobre 46% das caixas de resguardo que não foram auditadas no dia da eleição. "Esta auditoria envolve a recontagem de votos" afirmou Guanipa ao rejeitar as declarações da reitora do CNE, Sandra Oblitas, de que esta revisão não afetaria o resultado eleitoral anunciado oficialmente. O deputado opositor ressaltou que este tipo de auditoria já modificou o resultado de eleições menores, como as municipais, embora tenha admitido que nesses casos o ganhador sempre era do partido do governo. "Mais da metade dos venezuelanos defende a auditoria e se mostra convencida de que houve irregularidades. Por isso, digo hoje que este é um governo (de Maduro) derrotado", declarou o deputado, que completou: "Não estamos negando a vitória de Nicolás Maduro, mas defendendo a verdade". "Nossa democracia está doente", afirmou Guanipa antes de mostrar um vídeo no qual o presidente da Assembleia Nacional venezuelana (câmara baixa), Diosdado Cabello, aparece no plenário dizendo que não daria a palavra a nenhum deputado que não reconhecesse Maduro como presidente do país. Por sua parte, Edmundo González, que foi embaixador da Venezuela, denunciou "a deriva de autoritarismo" do Governo de Nicolás Maduro, que foi acusado de querer "cercar os direitos dos venezuelanos", e alertou que "há um quadro muito perigoso" no país. Na entrevista coletiva, o presidente do Instituto de Altos Estudos Europeus, Gustavo Palomares, que esteve na Venezuela durante as eleições, denunciou que mais de 86 mil votos vindos do exterior não foram apurados e que, em casos de pouca diferença de votos, a recontagem é uma prática que "faz parte da normalidade democrática". Palomares também denunciou o "monopólio absoluto" do Governo sobre a imprensa pública durante o processo eleitoral, assim como "a utilização total e absoluta da maquinaria do Estado". Questionado sobre a declaração dos chefes de Estado da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que pediram para todas as forças políticas venezuelanas respeitarem os resultados eleitorais, Guanipa afirmou que "lamenta profundamente" o citado comunicado regional. Isso porque, segundo ele, o comunicado não faz alusão à necessidade de diálogo entre as forças políticas do país ou a importância dos valores democráticos, entre outros. Desta forma, o deputado perguntou se os líderes de Unasul temem que isso ocorra em seus países? Os três membros da oposição venezuelana, que realizam uma em conjunto pela Europa, seguirão hoje à França e, posteriormente, visitarão a Bélgica e a Alemanha para denunciar as "irregularidades" nas eleições venezuelanas em busca de apoio internacional. EFE pdp/fk

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