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Otan suspende cooperação civil e militar com a Rússia

Diplomatas temem reaquecer disputas territoriais na região

Internacional|Do R7

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A Otan suspendeu nesta terça-feira (1º) sua cooperação civil e militar com a Rússia, em resposta à intervenção na Ucrânia, mas mantém o diálogo político com Moscou por uma solução para a crise.

Além disso, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, não confirmou o início da retirada das tropas russas da fronteira com a Ucrânia, como havia anunciado na véspera o presidente russo, Vladimir Putin.

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Esse anúncio oficializa uma decisão tomada em nível de embaixadas em 5 de março.

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O secretário-geral não indicou quais seriam os programas de cooperação afetados, mas ressaltou que todos aqueles ligados ao Afeganistão ou à luta contra o tráfico de drogas não sofreriam mudanças.

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"Acredito que os projetos de cooperação ligados ao Afeganistão, sobre as rotas de trânsito ou os helicópteros, deverão prosseguir, porque nós temos um interesse comum em garantir o êxito de nossa missão no Afeganistão", afirmou.

A Otan e a Rússia também colaboram, com terceiros, na luta contra a pirataria no oceano Índico e em programas contra o terrorismo.

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Reunidos em torno no americano John Kerry, os chefes da diplomacia quiseram demonstrar firmeza, sem, contudo, "jogar lenha na fogueira", porque "não se pode oferecer pretextos à Rússia para relançar a escalada", resumiu um diplomata.

A Otan também procura tranquilizar os membros mais preocupados com a atitude de Moscou, entre eles Polônia e os países bálticos, que pedem uma presença maior dos aliados.

"Ficaríamos satisfeitos com uma presença mais forte da Otan", declarou o ministro polonês, Radek Sikorski.

A Aliança garante que está pronta para "adotar as medidas necessárias frente a qualquer ameaça de agressão contra seus membros", indicaram os ministros, sem entrar em detalhes sobre questões operacionais.

Por enquanto, a Otan mobilizou aviões radar do tipo AWACS no espaço aéreo da Polônia e da Romênia. Os Estados Unidos enviaram caças F-15 e F-16 à Polônia e aos países bálticos. Ao mesmo tempo, mantêm no Mar Negro o destróier "USS Truxtun".

"Esses meios são suficiente por enquanto", assegurou uma autoridade militar.

"Não é preciso mobilizar tropas na fronteira com a Rússia", considerou o ministro holandês das Relações Exteriores, Frans Timmermans.

Sobre o anúncio da retirada das tropas russas, Rasmussen indicou: "Infelizmente, não posso confirmar que a Rússia está retirando suas tropas. Não é o que temos visto".

"Este deslocamento militar em massa não pode de forma alguma ser considerado uma queda na tensão, algo que todos queremos que aconteça. Por isso, continuaremos exigindo que a Rússia retire suas tropas e inicie um diálogo construtivo com a Ucrânia", completou Rasmussen.

Os Estados Unidos já haviam recebido com prudência na segunda-feira as afirmações do Ministério russo da Defesa sobre a retirada de um batalhão da fronteira com a Ucrânia.

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Na segunda-feira, Putin informou à chanceler alemã, Angela Merkel, que a Rússia estava em um procedimento de retirada parcial das tropas da fronteira com a Ucrânia.

O Ministério russo da Defesa anunciou no mesmo dia que o 15º Batalhão de Infantaria Notorizada do Distrito Militar do Centro havia concluído as manobras na região de Kadamovski, perto da fronteira com a Ucrânia, e retornaria para a base em Samara.

A presença militar russa na fronteira com a Ucrânia despertou o temor de uma invasão do leste do país, com uma grande comunidade de língua russa.

O anúncio de uma retirada será considerado pelos ocidentais um sinal de apaziguamento, após semanas de tensão que culminaram com a anexação da Crimeia à Rússia.

Paralelamente, o Parlamento ucraniano aprovou a realização de manobras militares conjuntas em seu território com os países da Otan, entre maio e outubro.

Os exercícios também acontecerão no Mar Negro, que banha a península da Crimeia, anexada pela Rússia após um referendo organizado pela população local, em sua maioria de origem e língua russa. Grande parte da comunidade internacional considerou o processo ilegal.

A instituição também aprovou o desarmamento dos grupos paramilitares que participaram dos protestos contra o governo e que ainda controlam o centro de Kiev.

A votação aconteceu um dia depois de um tiroteio provocado por um integrante do movimento de ultradireita Pravy Sektor na capital.

Neste contexto, a Rússia continua a fazer pressão econômica sobre a Ucrânia.

A empresa russa Gazprom anulou nesta terça-feira o importante desconto do preço do gás que concedia ao país.

A Gazprom havia concedido em dezembro uma redução no preço do gás fornecido ao governo do então presidente pró-Moscou Viktor Yanukovich, que foi destituído em fevereiro pelo Parlamento e substituído por um governo pró-Ocidente.

O fim do desconto representa um aumento de mais de um terço no preço do gás, que passará a custar 385,5 dólares os 1.000 metros cúbicos, anunciou o presidente da Gazprom, Alexei Miller.

O aumento, que já era esperado, agrava as perspectivas econômicas da Ucrânia. O país recebeu uma ajuda de 14 a 18 bilhões de dólares do FMI (Fundo Monetário Internacional) para evitar uma quebra.

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