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Paraguai lembra aniversário de ditador com passeata contra a impunidade

Internacional|Do R7

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Assunção, 3 nov (EFE).- Coincidindo com o dia do aniversário do falecido ditador paraguaio Alfredo Stroessner (1912-2006), a Mesa de Memória Histórica e duas associações de jornalistas convocaram nesta segunda-feira uma passeata contra a impunidade dos crimes do regime militar. A manifestação partirá nesta noite do Museu da Memória no centro de Assunção até o Panteão dos Heróis, segundo informaram os organizadores. O Sindicato de Jornalistas do Paraguai (SPP) e o Fórum de Jornalistas do Paraguai (FOPEP) se somaram ao protesto para repudiar também "os 16 casos de jornalistas assassinados" no país, que, asseguraram, ainda continuam impunes. "Se costumava dizer que essa era 'a data feliz', mas nós chamamos de data infeliz da impunidade", disse à Agência Efe Martín Almada, uma das vítimas das torturas e sequestros realizados pela ditadura de Stroessner entre 1954 e 1989. "Reivindicamos nossa luta contra a impunidade para que se castigue os culpados, os parceiros de Stroessner, os cúmplices e acobertadores", declarou Almada. Em 2008, a estatal Comissão de Verdade e Justiça (CJV) registrou 425 executados ou desaparecidos e quase 20.000 detidos durante o regime de Stroessner, a grande maioria vítimas de surras, choques elétricos, queimaduras e outras formas de tortura física. Outras 20.814 pessoas se viram forçadas ao exílio por motivos políticos durante a ditadura que se transformou na mais longa da América do Sul e sócia da Operação Condor, um plano de repressão dos governos ditatoriais do Cone Sul. "Eu estive mil dias agrilhoado e preso por escrever minha tese na universidade. Antes não se vivia melhor como dizem alguns. Viviam melhor os cúmplices e os acobertadores. Eles viviam muito bem e o resto do povo vivia muito mal. Não havia imprensa livre, ninguém sabia nada", declarou Almada. Almada lembrou ainda que "a impunidade gera mais corrupção e mais repressão". "Stroessner se foi, mas ficou o stronismo", criticou. O advogado, que ficou famoso após descobrir o chamado "Arquivo do Terror", compêndio de documentos escritos onde estão registrados os crimes cometidos pela polícia e pelos militares por incumbência do governo, destacou que "os cérebros" daquelas atividades "ainda andam livres". "A Operação Condor foi uma operação eminentemente militar, mas se castigou apenas a polícia que fez o trabalho sujo. Não se foi atrás do cérebro, os militares. Eles andam livres e soltos pela rua, são animais perigosos", lamentou. As vítimas da ditadura de Stroessner apresentaram uma denúncia há um ano na Argentina, onde se aplica a jurisdição universal para esses delitos contra a humanidade, justificada pelo avanço nulo nas investigações do Ministério Público paraguaio. Na Argentina também se apresentou outra denúncia para que se averiguem as supostas torturas e massacres que o regime de Stroessner realizou contra o povo indígena aché. Além disso, vítimas de tortura durante a ditadura paraguaia identificaram há dois meses 18 supostos responsáveis desses crimes contra a humanidade, a maioria deles policiais, que estão em liberdade no Paraguai. Mesmo assim, desde 2008 não houve nenhuma acusação por crimes contra a humanidade contra os criminosos já identificados, segundo os advogados das vítimas. EFE sct/rsd (foto)

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