Internacional Paris é palco de protestos violentos contra a brutalidade policial

Paris é palco de protestos violentos contra a brutalidade policial

Manifestantes encapuzados lançaram projéteis contra a tropa de choque, quebraram vitrines, incendiaram carros e queimaram barricadas 

  • Internacional | Da EFE

Protestos tem como alvo ainda os planos de política de segurança de Macron

Protestos tem como alvo ainda os planos de política de segurança de Macron

Gonzalo Fuentes /Reuters/Pool - 04.05.2020

Milhares protestam em Paris neste sábado (5) para denunciar a violência policial e os planos da política de segurança do presidente Emmanuel Macron que, segundo os manifestantes, prejudicariam as liberdades civis.

Manifestantes encapuzados lançaram projéteis contra a tropa de choque, quebraram vitrines, incendiaram carros e queimaram barricadas durante a manifestação contra a violência policial. A polícia respondeu com rajadas de gás lacrimogêneo.

O protesto começou com milhares de pessoas marchando pacificamente em Paris quando os confrontos eclodiram entre a polícia e grupos de manifestantes, a maioria vestida de preto e com o rosto coberto. Alguns usaram martelos para quebrar pedras de pavimentação.

Com faixas de "França, terra dos direitos da polícia" e "Retirada da lei de segurança", os manifestantes denunciam a brutalidade policial e planos de política de segurança do presidente Emmanuel Macron que os manifestantes dizem que iria restringir as liberdades civis.

A França foi atingida por uma onda de protestos de rua depois que o governo apresentou um projeto de lei de segurança no parlamento que visava aumentar suas ferramentas de vigilância e restringir os direitos de circulação de imagens de policiais na mídia e online.

O projeto foi parte do esforço de Macron para endurecer a lei e a ordem antes das eleições de 2022. Seu governo também disse que a polícia precisava ser melhor protegida do ódio online.

Este é o segundo final de semana consecutivo de protestos. Na semana passada, as manifestações aconteceram em mais de 70 cidades no país e houve confrontos violentos entre manifestantes e a polícia.

Em uma reviravolta no início desta semana, o partido do presidente Emmanuel Macron disse que iria reescrever parte do projeto de lei de segurança proposto pelo governo que, entre outros pontos, proíbe a filmagem e a circulação de imagens de policiais em ação, depois que a proposta provocou uma forte reação entre o público e a esquerda política e levou aos protestos.

Os manifestantes marcharam pela capital francesa sob a estreita vigilância da polícia de choque, agitando faixas que diziam "França, terra dos direitos da polícia" e "Retirada da lei de segurança".

"Estamos caminhando para uma limitação cada vez mais significativa das liberdades. Não há justificativa", afirmou Karine Shebabo, moradora de Paris.

Outro manifestante, Xavier Molenat, disse: "A França tem o hábito de restringir as liberdades enquanto prega a importância desses mesmos direitos para os outros."

O espancamento de um homem negro, o produtor musical Michel Zecler, por vários policiais, no final de novembro, intensificou a ira pública. Esse incidente veio à tona depois que um circuito fechado de televisão e imagens de telefones celulares circularam online.

Os críticos disseram que o projeto original tornaria mais difícil responsabilizar a polícia em um país onde alguns grupos de direitos humanos alegam racismo sistêmico dentro das agências de aplicação da lei. Muitos oponentes do projeto de lei dizem que ele vai longe demais, mesmo quando reescrito.

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