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Parlamento afegão interrompe debate de lei de proteção das mulheres

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O Parlamento afegão interrompeu um debate intenso neste sábado sobre uma lei para proteger as mulheres da violência, após as queixas de deputados conservadores, que consideram o texto contrário ao islã.

A Lei para Eliminação da Violência contra as Mulheres, adotada como decreto presidencial em 2009, é considerada crucial para o progresso do país após a queda do regime talibã, há quase 12 anos.

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Mas a ratificação pelo Parlamento foi adiada depois que vários deputados criticaram a lei como contrária à sharia, a lei islâmica baseada no Alcorão.

"Esta lei é apenas um projeto do governo, está contra a sharia", declarou o deputado conservador Abdul Sattar Khawasi.

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"Temos que debater mais sobre ela e tirar artigos contrários ao islã", disse.

Em um debate intenso, alguns parlamentares afirmaram que o casamento com crianças, ilegal pela nova norma, não deveria ser um crime.

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Mas os defensores da legislação também falaram no debate.

"Esta lei foi assinada com enormes esforços feitos pelas mulheres, esta lei é para defender os direitos das mulheres pobres dos povoados e vilarejos", disse a deputada Mariam Kofi.

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"Esperamos que no final seja aprovada. Em caso contrário seria um desastre para todas as mulheres afegãs", advertiu.

Aimal Faizi, porta-voz do presidente afegão, Hamid Karzai, declarou à imprensa que o chefe de Estado não vai interferir nas questões do Parlamento, mas deu a entender que trabalha para que a lei seja adotada.

A norma já é oficialmente lei, mas muitos ativistas temem que os deputados conservadores fragilizem a norma com emendas ou, até mesmo, consigam impedir a aprovação.

A lei proíbe atos de violência contra as mulheres, casamentos com crianças e matrimônios forçados, e é considerada uma das leis chave do governo após a queda dos talibãs, que proibiram que as meninas frequentassem as escolas e que as mulheres exercessem qualquer tipo de atividade pública.

emh/fp

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