Partido anuncia reunião para definir futuro de Zuma na África do Sul
Cúpula do CNA vai definir se pedirá ao presidente Jacob Zuma para se afastar do cargo; ele é acusado de diversos crimes
Internacional|Fábio Fleury, do R7 com agências internacionais

A situação política da África do Sul, que vive um momento de caos e incerteza, pode começar a ficar mais clara a partir desta segunda-feira. A cúpula do CNA (Congresso Nacional Africano), partido que governa o país desde a década de 1990, vai se reunir para definir o futuro do presidente Jacob Zuma.
Quem fez o anúncio, neste domingo (11), foi o vice-presidente Cyril Ramaphosa, que também é presidente da CNA. Ele participou de um evento que marcou o início das comemorações pelo centenário do líder sul-africano Nelson Mandela.
O domingo foi escolhido para o começo das festividades porque foi no dia 11 de fevereiro de 1990, 28 anos atrás, que Mandela deixou a cadeia, após passar 27 anos preso.
Em 1994, Mandela foi eleito presidente da África do Sul pelo CNA e governou até 1999.
"O Comitê Executivo Nacional do CNA se reunirá amanhã para discutir esta questão. Nosso povo quer que este assunto seja finalizado e o comitê fará exatamente isso", disse Ramaphosa à imprensa, segundo a Reuters.
A cúpula do CNA tem o poder de recomendar a Zuma que se afaste. O presidente, que está no poder desde 2009, é acusado de diversos crimes, desde corrupção até favorecimento a uma das famílias mais ricas do país.
Segundo a agência Reuters, Ramaphosa evitou mencionar o nome de Zuma na entrevista coletiva, mas falou diversas vezes em "transição de poder" e disse que o CNA precisa resolver questões pertinentes à presidência.
Enquanto isso, boatos e fake news se espalham entre os sul-africanos. De acordo com relatos publicados pela rede Al Jazeera, o povo no momento não tem ideia de quem realmente governa o país.
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Um boato que se espalhou pelo Whatsapp na África do Sul afirmava que Zuma iria destituir Ramaphosa de seus cargos. Outro afirmava que o presidente russo Vladimir Putin estaria disposto a defender Zuma, seu "aliado", por conta de um acordo nuclear. Ambas as histórias foram negadas veementemente pela presidência.
A situação indica que nem mesmo o CNA sabe exatamente o que fará, embora a população pareça favorável à saída de Zuma. Enquanto Ramaphosa faz discursos fortes contra a corrupção, ele já falou em conceder uma "retirada digna" para o presidente.
O fato é que a reunião desta segunda pode ser fundamental para determinar os próximos passos da política sul-africana.










