Internacional Pesquisas apontam reeleição de Macron na França com margem menor em relação à vitória de 2017

Pesquisas apontam reeleição de Macron na França com margem menor em relação à vitória de 2017

Atual presidente conta em média com uma diferença de 10 pontos percentuais contra a candidata Marine Le Pen

  • Internacional | Do R7, com AFP

Cartazes oficiais da campanha presidencial francesa

Cartazes oficiais da campanha presidencial francesa

Benoit Tessier/Reuters - 21.04.2022

As últimas pesquisas publicadas na França sobre o segundo turno das eleições presidenciais, que ocorrem neste domingo (24), mostram que o atual presidente Emmanuel Macron, do La República en Marcha, vencerá Marine Le Pen, da Agrupación Nacional, com uma margem menor do que a alcançada em 2017, de 66,1% contra 33,9%. 

Em média, os últimos levantamentos sugerem que Macron está à frente de Le Pen com uma diferença de 10 pontos (55% contra 45%), de acordo com os institutos de pesquisa. 

A última pesquisa Ipsos-Sopra Steria feita para o jornal Le Monde, publicada nesta sexta-feira (22), apontou o atual presidente com 56,5% das intenções de voto, contra 43,5% de sua adversária de extrema direita. 

Cinco anos após a eleição de Macron, a França não é o mesmo país: protestos sociais marcaram a primeira metade do mandato, uma pandemia global confinou milhões de pessoas e a ofensiva russa na Ucrânia abalou com força o continente europeu.

A guerra sobrevoou a campanha, embora "o poder de compra tenha sido a preocupação número um", disse Mathieu Gallard, da Ipsos France, à rádio France Bleu. Para ele, há uma "forte decepção" na votação.

Sophie Ramis, Paz Pizarro, Maria-Cecila Rezende, Kenan Augeard/AFP

Sinal de desencanto com o primeiro turno, dias depois, os estudantes ocuparam temporariamente a universidade simbólica de Sorbonne. "Enfrentamos uma falsa escolha, duas opções que nos prejudicam", disse o jovem Baptiste, de 22 anos.

Muitos jovens, assim como parte dos eleitores do esquerdista Jean-Luc Mélenchon, denunciam o desequilíbrio social e ecológico dos cinco anos do governo Macron, mas também temem que a extrema direita chegue ao poder.

"O voto em Macron não se baseia em uma melhora da situação dos franceses, mas na capacidade de administrar crises", acrescentou Mathieu Gallard.

"Terceira rodada"


Macron jogou a cartada de um presidente estável e reformista em tempos de crise; Le Pen optou por apresentar-se como defensora do poder de compra, em um contexto de preocupação com a subida dos preços da energia e dos alimentos.

Quase 49 milhões de franceses têm nas mãos a escolha de qual França querem até 2027, uma decisão que pode implicar uma mudança nas alianças internacionais dessa potência nuclear e econômica se o herdeiro da Frente Nacional for eleito.

Le Pen propõe inscrever na Constituição a "prioridade nacional" de excluir estrangeiros da assistência social e defende o abandono do comando integrado da Otan e a redução dos poderes da União Europeia (UE).

Em vez disso, Macron defende mais Europa, seja em questões econômicas, sociais ou de defesa, e recupera seu impulso reformista e liberal, com sua proposta de adiar a idade de aposentadoria de 62 para 65 anos.

Após o dia de reflexão, quando é proibido transmitir votações e campanhas, as assembleias de voto na França metropolitana abrirão às 8h deste domingo (3h em Brasília). Os territórios ultramarinos e os franceses no continente americano já começaram a votar, devido à diferença de fuso horário.

A partir das 20h (15h em Brasília), no encerramento das últimas escolas, os resultados serão conhecidos. Le Pen poderia então se tornar a primeira mulher presidente, e Macron, o primeiro a ser reeleito desde o conservador Jacques Chirac (1995-2007).

"Independentemente do vencedor, o país será mais difícil de governar nos próximos cinco anos", disse a cientista política Chloé Morin à AFP.

Após a votação, a França iniciará a campanha para as eleições legislativas de 12 e 19 de junho, que decidirão com qual maioria o futuro chefe de Estado governará. "Uma terceira rodada", para Gaspard Estrada, especialista em campanhas da Sciences Po.

De acordo com uma pesquisa do BVA nesta sexta-feira (22), 66% dos franceses querem que Macron perca sua maioria parlamentar. A última "coabitação" remonta ao período de 1997 a 2002, quando Chirac nomeou o socialista Lionel Jospin como primeiro-ministro.

O esquerdista Jean-Luc Mélenchon já pediu aos franceses que o elejam "primeiro-ministro" nas eleições legislativas. Seu partido, comunistas e ambientalistas estão negociando uma frente comum para essas eleições.

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