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Petro diz que o problema de Maduro é a ‘falta de democracia’, mas que não tem vínculo com o narcotráfico

Presidente colombiano afirma que tensões com os EUA estão ligadas ao petróleo

Internacional|Isa Soares, Vasco Cotovio e Mauricio Torres, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Gustavo Petro, presidente da Colômbia, afirma que Nicolás Maduro enfrenta a falta de democracia, não narcotráfico.
  • Petro contesta as alegações dos EUA sobre o envolvimento de Maduro com o narcotráfico, afirmando que não há investigações que comprovem isso.
  • O presidente colombiano critica a busca dos EUA pelo petróleo venezuelano e defende a necessidade de eleições livres na Venezuela.
  • As tensões entre Colômbia e EUA se intensificaram após acusações de vínculos de colaboradores de Petro com dissidências das FARC.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Gustavo Petro também já foi acusado de narcotráfico pelos EUA Fernando Frazão/Agência Brasil

Em meio às crescentes tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, disse à CNN Internacional nesta terça-feira (25) que seu país não detectou que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, seja um líder do narcotráfico, como afirmam os EUA, e considerou que o problema de Maduro é a “falta de democracia e de diálogo” em sua nação.

Durante uma entrevista exclusiva com Isa Soares em Bogotá, Petro falou sobre a situação na região um dia depois que entrou em vigor a designação com a qual os EUA classificam como organização terrorista internacional o chamado Cartel de los Soles, um suposto grupo que, segundo Washington, dedica-se ao tráfico de narcóticos, lavagem de dinheiro e corrupção de funcionários, e cuja liderança atribui a Maduro. Caracas, por sua vez, rejeita tanto a existência do Cartel quanto as acusações contra Maduro.

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“O problema de Maduro se chama democracia, eu reconheço assim, falta de democracia e de diálogo. Nenhuma investigação colombiana, que é independente do presidente e em anos em que eu não fui presidente, nos mostra uma relação do narcotráfico colombiano com Maduro”, disse Petro quando a CNN Internacional lhe perguntou se considera Maduro um líder do narcotráfico, em uma das poucas entrevistas internacionais que o presidente colombiano concedeu desde que assumiu o cargo, em agosto de 2022.

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Petro insistiu durante a entrevista que o problema de Maduro era a “falta de democracia” e acrescentou: “Não estou dizendo que não seja ditador, porque as ditaduras se encaixam no conceito da falta de democracia. Umas mais que outras, mas assim são”.

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Também destacou que, de sua perspectiva, as tensões entre os EUA e a Venezuela se devem ao fato de que Washington quer o petróleo venezuelano e, ao mesmo tempo, Maduro não deu ouvidos aos chamados para que haja democracia na Venezuela.

“O que está por trás é o mesmo que está por trás da guerra da Ucrânia: petróleo, petróleo (...) A Venezuela tem uma das maiores ou a maior reserva do mundo em petróleo até agora, pesado, cuidado com essa definição, e na Ucrânia há reservas e, em geral, todas as guerras deste século tiveram a ver com o petróleo”, disse Petro.

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“A lógica venezuelana de Maduro, não de toda a sociedade venezuelana, é permanecer no poder tal qual, com bases ilegítimas, sim. Porque eu disse a Maduro: ‘É hora de mudanças e é hora de eleições livres’. Antes, eu disse a Maduro: ‘Compartilhar o poder para ganhar confiança entre os dois lados e ter verdadeiras eleições livres’”, acrescentou o mandatário colombiano.

Maduro assumiu a Presidência da Venezuela em 2013, após a morte do então presidente Hugo Chávez, e em 2024 foi proclamado vencedor de eleições controversas cujos resultados a oposição desconheceu. Segundo o bloco opositor, o verdadeiro vencedor do pleito foi o ex-embaixador Edmundo González Urrutia, impulsionado pela líder opositora María Corina Machado, reconhecida este ano com o Prêmio Nobel da Paz.

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Maduro diz que seu triunfo em 2024 foi legal e afirma que o objetivo das recentes manobras militares dos EUA em águas do Caribe e do Pacífico não é combater o narcotráfico, como assegura Washington, mas desestabilizar seu Governo.

Essas ações incluem o envio de navios e aviões de guerra para a zona e os ataques com os quais forças norte-americanas destruíram até agora 22 embarcações que supostamente transportavam drogas.

Questionado sobre isso durante a conversa desta terça-feira, Petro insistiu que o Governo de Donald Trump na realidade não quer acabar com os narcotraficantes, mas que os EUA buscam “uma negociação sobre petróleo”.

“Eu acredito que a lógica de Trump é essa mesma. Não está pensando na democratização da Venezuela nem muito menos no narcotráfico”, disse.

A CNN Internacional entrou em contato com a Casa Branca e com o Governo da Venezuela para pedir comentários sobre as declarações de Petro e aguarda resposta.

Por sua vez, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse em um comunicado nesta quarta-feira (26) que o Governo de Trump “se mantém firme em suas operações contra as drogas no Caribe e em seu compromisso de proteger os norte-americanos do veneno letal do regime de Maduro”.

Petro também falou com a CNN Internacional sobre as tensões que seu próprio Governo mantém com os EUA.

A mais recente delas começou nesta semana, devido à publicação por um veículo de comunicação na Colômbia de que dois altos funcionários, o diretor de Inteligência, Wilmar Mejía, e o general Juan Miguel Huertas, supostamente têm vínculos com as dissidências da extinta guerrilha das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Tanto Mejía quanto Huertas negam que seja assim.

Na segunda-feira (24), o presidente da Colômbia publicou mensagens em suas redes sociais, nas quais rejeitou as acusações contra seus colaboradores e disse que a CIA (Agência Central de Inteligência) dos EUA está por trás delas.

Durante o encontro com a CNN Internacional nesta terça-feira, Petro insistiu que seus funcionários não têm nexos com as dissidências das FARC e assegurou que a CIA recebe informações errôneas e que ele apoiará sua permanência na Colômbia enquanto a Agência não “conspirar” contra a soberania do país.

“No Exército, busco a separação absoluta de qualquer oficial do crime”, disse o mandatário.

“A CIA continua aqui na Colômbia enquanto souber que persegue narcotraficantes, mas se está conspirando contra a soberania da Colômbia, pois não vai poder ser nossa parceira”, ressaltou.

A CNN Internacional entrou em contato com a CIA para pedir comentários e aguarda resposta.

Os desencontros entre os EUA e a Colômbia têm sido recorrentes ao longo do ano, por temas diversos como a migração ou as tarifas, e se intensificaram em outubro quando Trump acusou Petro de ser “um líder do narcotráfico que incentiva a produção massiva de drogas”.

O mandatário colombiano — que está em seus últimos nove meses de gestão e entregará o poder em agosto de 2026 — desde então rejeitou as acusações.

Mais ainda, Petro assegurou na entrevista desta terça-feira que, ao contrário do que afirma Trump, seu Governo combate o narcotráfico com força e fez apreensões históricas de drogas desde que ele assumiu o poder em 2022.

“Trump não foi capaz de me ouvir”, disse o mandatário, e atribuiu a situação ao fato de que seu par dos EUA age com “soberba” e acredita que ele é “um valentão, subversivo, terrorista, coisas do tipo”.

A CNN Internacional pediu comentários à Casa Branca sobre essas declarações de Petro e aguarda resposta.

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