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Por que analistas temem briga na família de Kim Jong-un que pode acabar até em morte

Ascensão de Kim Ju-ae, de 13 anos, no regime da Coreia do Norte pode ser interrompida por Kim Yo-jong, sua tia e irmã do ditador

Internacional|Do R7

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  • A ascensão de Kim Ju-ae, filha de 13 anos de Kim Jong-un, no regime norte-coreano gera preocupações sobre um possível conflito com sua tia, Kim Yo-jong, que é vista como uma rival poderosa.
  • A inteligência sul-coreana acredita que Kim Ju-ae pode ser nomeada futura líder da Coreia do Norte, enquanto Kim Yo-jong possui forte apoio político e militar, tornando-se uma ameaça à sua ascensão.
  • Historicamente, a dinastia Kim enfrentou disputas internas, com assassinatos ocorrendo em casos de rivalidade pelo poder, como o de Kim Jong-nam, meio-irmão de Kim Jong-un.
  • Enquanto Ju-ae começou a aparecer publicamente apenas há pouco tempo, Yo-jong já é uma figura influente no governo e na segurança nacional da Coreia do Norte.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Kim Jong Un caminhando com sua filha
Filha adolescente de Kim Jong-un está perto de ser designada como a futura líder do país, diz inteligência sul-coreana KCNA/Reuters via CNN Newsource

O que parece ser a ascensão da filha de 13 anos de Kim Jong-un, Kim Ju-ae, no círculo de poder da Coreia do Norte, pode esconder um conflito interno iminente com uma parente: Kim Yo-jong, a irmã do ditador que até pouco tempo atrás era visto com uma figura poderosa e implacável do regime. Dado ao histórico de disputas familiares, a tensão entre a adolescente e a tia pode terminar em morte.

A agência de espionagem da Coreia do Sul informou aos parlamentares, na quinta-feira (12), que acredita que a filha adolescente do líder norte-coreano está perto de ser designada como a futura líder do país. A avaliação do Serviço Nacional de Inteligência surge enquanto a Coreia do Norte se prepara para realizar sua maior conferência política ainda este mês, onde Kim deverá delinear seus principais objetivos políticos para os próximos cinco anos e tomar medidas para consolidar seu controle autoritário.


Inicialmente, as autoridades sul-coreanas expressaram dúvidas sobre a possibilidade de ela ser escolhida como líder da Coreia do Norte, citando a cultura profundamente conservadora do país e a tradição de liderança dominada por homens. No entanto, suas aparições cada vez mais frequentes na mídia estatal levaram a uma reavaliação.

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Segunda pessoa mais poderosa do país

Mas sua tia, que possui significativo apoio político e militar dentro do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte e é amplamente vista como a segunda pessoa mais poderosa do país atualmente, poderia representar uma ameaça à ascensão de sua sobrinha ao poder.


“Depende do momento, mas acredito que se Kim Yo-jong acreditasse que tinha uma chance de se tornar a líder máxima, ela a aproveitaria”, disse Rah Jong-yil, que atuou como embaixador da Coreia do Sul no Reino Unido e como vice-diretor de seu serviço de inteligência, ao jornal britânico The Telegraph.

“Para ela, não há razões para se abster de pôr em prática o seu próprio projeto político”, acrescentou.


Há especulações de que Yo-jong, de 38 anos, estaria planejando tomar o poder na Coreia do Norte caso Kim Jong-un morra ou fique incapacitado.

Um relatório publicado em dezembro no 38 North, o site do think tank Stimson Center, com sede em Washington DC, nos Estados Unidos, prevê “turbulência” em caso de falecimento repentino do ditador norte-coreano e destaca “uma alta probabilidade de surgir uma luta pelo poder”.


“A curto prazo, candidatos com maior estabilidade política, como Kim Yo-jong, têm maior probabilidade de sucesso em caso de morte súbita ou doença grave de Kim Jong-un”, afirmou o relatório.

Assassinato e execução

A história recente da dinastia Kim na Coreia do Norte também não apresenta transições de poder pacíficas.

Kim Jong-nam era meio irmão do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un
Kim Jong-nam era meio-irmão do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un

Kim Jong-nam, meio-irmão mais velho de Kim Jong-un, já foi visto como o futuro líder da Coreia do Norte e foi assassinado no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia em 2017. O ditador norte-coreano é suspeito de ser o mandante do crime por considerá-lo um potencial rival ao seu poder.

Em 2013, dois anos após Kim Jong-un assumir o poder, ele mandou prender Jang Song-thaek, seu tio e mentor, sob a acusação de cometer “atos antipartidários, contrarrevolucionários e facciosos”. Após um julgamento sumário, Song-thaek foi executado por um pelotão de fuzilamento.

Quem é Ju-ae

Kim Jong Un e sua filha Kim Ju Ae posam no 76º aniversário da fundação do Exército Popular Coreano em Pyongyang
Kim Jong-un e sua filha Kim Ju-ae posam no 76º aniversário da fundação do Exército Popular Coreano em Pyongyang KCNA

A existência de Ju-ae veio a público em 2013, mas por anos quase nada se soube sobre ela. Acredita-se que seja a segunda dos três filhos de Kim Jong-un com a primeira-dama, Ri Sol-ju, embora o número exato e a ordem dos herdeiros nunca tenham sido oficialmente detalhados. Ela é a única criança cuja existência foi confirmada pela liderança norte-coreana, já que nenhum outro filho do casal apareceu em público.

O líder norte-coreano sempre manteve a família sob extremo sigilo, apresentando a própria esposa à população apenas algum tempo depois do casamento. Ju-ae só voltou aos holofotes em novembro de 2022, quando surgiu ao lado do pai no lançamento de um míssil balístico intercontinental (ICBM), em uma imagem que chamou atenção da comunidade internacional.

Nos meses seguintes, sua presença se tornou cada vez mais frequente. Na época, ela passou a aparecer em selos postais e em banquetes com altos oficiais do regime, sendo descrita pela imprensa estatal como a “respeitada filha” de Kim Jong-un, um adjetivo reservado às figuras mais reverenciadas do país. No caso do próprio líder, o termo “respeitado camarada” só passou a ser usado depois que sua posição como sucessor foi consolidada.

Informações repassadas pelo serviço de inteligência sul-coreano indicavam que Ju-ae estudava em casa, em Pyongyang, e que gostava de esqui, natação e andar a cavalo. À época, estimava-se que ela tinha 10 anos.

Desde então, ela passou a ocupar o centro das cerimônias militares, posicionando-se ao lado do pai em lançamentos de mísseis e desfiles, onde chegou a receber continências de altos comandantes das Forças Armadas, gesto simbólico em um país que se define pela linhagem “sagrada” da família Kim, no poder desde 1948.

Quem é Yo-jong

Irmã do líder norte-coreano é uma figura influente no regime Divulgação/KCNA

Ao que se sabe, Kim Yo-jong nasceu em 26 de setembro de 1987, em Pyongyang, capital da Coreia do Norte. Sua proximidade com Jong-un vem dos anos que os dois passaram juntos na Europa, estudando com identidades falsas em colégios da Suíça, de 1996 a 2000.

Durante a primeira década deste século, pouco se sabe sobre as atividades da filha caçula de Kim Jong-il. Acredita-se que ela fez cursos universitários em uma universidade europeia ou na própria Coreia do Norte, mas não há confirmação a respeito disso.

A primeira aparição pública de destaque foi em 2010, durante uma reunião do Comitê Central do partido. No ano seguinte, quando Jong-il morreu, ela apareceu com destaque ao lado do irmão durante o velório e o enterro.

Aos poucos, ela foi ganhando destaque, principalmente após se encarregar de promover a imagem do irmão como novo líder do país no Departamento de Propaganda do partido.

Em 2017, Kim Jong-un tornou a irmã parte do politburo do Partido, transformando-a em sua principal conselheira. Kim Yo-jong virou, assim, a segunda mulher a fazer parte do conselho desde a separação das duas Coreias. Segundo analistas, ela teria sido, inclusive, colocada a cargo da segurança nacional do país.

No ano seguinte, a visita à Coreia do Sul para a participação conjunta dos dois países na Olimpíada de Inverno consolidou a presença da irmã caçula no cenário internacional, assim como as várias cúpulas de que Kim Jong-un participou, tanto com Trump como com o presidente da Coreia do Sul.

Ela acompanhou Kim Jong-un em importantes reuniões diplomáticas, incluindo as cúpulas de 2018 e 2019 com o presidente dos EUA, Donald Trump, e a cúpula de 2023 com o presidente russo, Vladimir Putin.

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