Antes de congresso, Kim Jong-un indica limpeza no alto escalão: ‘Grosseria e incompetência’
Para o ditador, o caso revelou falhas estruturais na nomeação de dirigentes e deixou claro que outras mudanças podem ocorrer
Internacional|Do R7
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Às vésperas de um congresso do Partido dos Trabalhadores, o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, sinalizou uma profunda limpeza no alto escalão do governo ao demitir, de forma pública e imediata, o vice-primeiro-ministro Yang Sung Ho. A decisão ocorreu durante visita ao complexo industrial de Ryongsong e foi acompanhada de duras críticas à condução da política econômica.
Segundo a agência estatal KCNA (Agência Central de Notícias da Coreia), Kim classificou Yang como “incapaz de assumir responsabilidades importantes” e atribuiu a ele falhas graves no projeto de modernização da unidade industrial. Para o líder norte-coreano, a iniciativa começou de forma equivocada e gerou prejuízos econômicos evitáveis por causa da atuação de autoridades que ele descreveu como “irresponsáveis, rudes e incompetentes”.
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Em um discurso inflamado, Kim afirmou que o projeto saiu completamente do rumo original por erros técnicos, decisões mal planejadas e falta de estudos adequados. Ele disse que as tarefas técnicas foram elaboradas sem análise detalhada e aprovadas de forma negligente pelo Estado, o que resultou em um plano de modernização “absurdo” e “desconectado” dos objetivos do regime.
O líder também criticou a forma como equipamentos foram distribuídos ao longo do projeto, ignorando diretrizes legais e técnicas. Segundo ele, isso levou a uma sequência de improvisações, desperdício de recursos e atrasos, além de sobrecarregar setores estratégicos da indústria de defesa.
Diante das falhas, Kim revelou que o Comitê Central do Partido precisou convocar uma equipe de especialistas para revisar o projeto. A análise identificou mais de 60 problemas técnicos, incluindo a ausência de um sistema integrado de produção e a incapacidade de automatizar partes essenciais das linhas industriais.
No discurso, Kim acusou integrantes do governo de agirem para se eximir de responsabilidades, descrevendo a tentativa de transferir decisões entre órgãos como um “ato desprezível” para evitar punições. Para ele, esse comportamento escancarou um padrão antigo de trabalho do gabinete, marcado por passividade, derrotismo e falta de compromisso com as diretrizes do Partido.
O vice-primeiro-ministro demitido também foi alvo de críticas diretas por sua postura em reuniões partidárias. Kim afirmou que Yang teria feito comentários considerados irônicos e evasivos durante um encontro plenário em dezembro, o que foi interpretado como uma tentativa de minimizar erros graves diante da cúpula do regime.
Ao justificar a demissão, Kim comparou o vice-primeiro-ministro a “uma cabra colocada para puxar uma carroça de bois”. Segundo ele, a permanência de quadros sem capacidade técnica compromete a condução da economia nacional e não pode ser tolerada.
Por fim, Kim afirmou que o caso revelou falhas estruturais no sistema de nomeação de dirigentes e deixou claro que mudanças adicionais podem ocorrer com a formação de um novo governo. Apesar de reconhecer avanços pontuais no complexo de Ryongsong, o líder concluiu que a principal lição foi a constatação de que parte do atual comando econômico não está apta a liderar a modernização do país.












