Logo R7.com
RecordPlus

Por que serviço secreto britânico deixou espião soviético trabalhar para a rainha após confissão?

Anthony Blunt admitiu traição em 1964, mas permaneceu no cargo no palácio até 1972; rainha Elizabeth 2ª só foi informada em 1973

Internacional|Do R7

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Anthony Blunt, historiador de arte e espião soviético, confessou sua traição em 1964.
  • Ele trabalhou como inspetor dos quadros reais até 1972, apesar da confissão e da imunidade oferecida pelo MI5.
  • A rainha Elizabeth 2ª só foi informada sobre a traição quase dez anos depois, em 1973.
  • O escândalo é considerado um dos maiores da espionagem no Reino Unido, revelando um acordo entre o serviço secreto e a monarquia.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O historiador de arte Anthony Blunt era parente distante da rainha Elizabeth 2ª Reprodução/X/retrospectorshq

O historiador de arte Anthony Blunt, parente distante da rainha Elizabeth 2ª, trabalhou por quase três décadas como inspetor dos quadros reais — mesmo após confessar, em 1964, ter sido espião soviético.

Blunt foi identificado como um dos integrantes do grupo “Cambridge Five”, uma rede de espionagem formada por ex-alunos da Universidade de Cambridge que repassavam informações à União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria.


As informações são do jornal britânico Daily Mail e de documentos do MI5, o serviço de inteligência interna do Reino Unido, que foram divulgados após décadas de arquivamento, em janeiro deste ano.

LEIA MAIS

Confissão e acordo

Em abril de 1964, após ser citado na confissão do norte-americano Michael Straight, Blunt admitiu ter recrutado agentes para o serviço soviético. O MI5 ofereceu imunidade total em troca de informações sobre suas atividades.


O acordo, no entanto, foi aprovado pelo então ministro do Interior sem que a rainha fosse informada.

Com isso, Blunt permaneceu no cargo no Palácio de Buckingham por mais nove anos. Ele também manteve o título de cavaleiro, concedido em 1956, porque uma revogação levantaria suspeitas públicas.


De acordo com o documentarista Robert Hardman, do Daily Mail, a decisão de mantê-lo protegido foi estratégica: “Se o puníssemos, os soviéticos saberiam que sabíamos das informações que ele revelou”, disse.

Rainha no escuro

Os arquivos desclassificados do MI5, divulgados em janeiro, revelam que a rainha Elizabeth 2ª só foi oficialmente informada sobre a traição de Blunt em 1973, quase dez anos após a confissão.


O secretário particular da monarca à época, Martin Charteris, relatou que Elizabeth “encarou a notícia com calma e sem surpresas”, sugerindo que ela já havia ouvido rumores sobre o caso.

Apesar disso, o então diretor-geral do MI5, Michael Hanley, registrou em memorando que Charteris “achava que não havia vantagem em contar à rainha”, temendo preocupações desnecessárias.

Mesmo dentro do palácio, o segredo era restrito a poucas pessoas. O secretário de imprensa da monarca, Ron Allison, contou que Blunt “era uma figura elegante e reservada, mas nunca estava por perto quando a rainha estava presente”.

Revelação pública

Blunt se aposentou em 1972, mas o caso só veio a público em 1979, quando a então primeira-ministra Margaret Thatcher o expôs no Parlamento. Após isso, ele perdeu o título de cavaleiro e foi amplamente condenado pela opinião pública.

Blunt morreu em 1983, aos 75 anos. “Ele teve permissão para viver até uma idade avançada, diferentemente de muitas das pessoas que traiu”, comentou a historiadora Kate Williams ao Daily Mail.

O caso é considerado um dos maiores escândalos de espionagem do século 20 no Reino Unido. Para Hardman, a permanência do espião dentro do palácio foi “um acordo pragmático e desconfortável entre o serviço secreto e a monarquia, onde a conveniência política pesou mais que a transparência”.

Perguntas e Respostas

 

Quem foi Anthony Blunt?

 

Anthony Blunt foi um historiador de arte e parente distante da rainha Elizabeth 2ª, que trabalhou como inspetor dos quadros reais por quase três décadas.

 

O que Blunt confessou em 1964?

 

Em 1964, Blunt admitiu ter sido espião soviético e ter recrutado agentes para o serviço soviético.

 

Qual foi a reação do MI5 à confissão de Blunt?

 

O MI5 ofereceu imunidade total a Blunt em troca de informações sobre suas atividades de espionagem.

 

Como a rainha Elizabeth 2ª foi informada sobre a traição de Blunt?

 

A rainha Elizabeth 2ª só foi oficialmente informada sobre a traição de Blunt em 1973, quase dez anos após sua confissão.

 

Qual foi a decisão do governo em relação a Blunt após sua confissão?

 

Blunt permaneceu no cargo no Palácio de Buckingham por mais nove anos e manteve seu título de cavaleiro, pois revogá-lo levantaria suspeitas públicas.

 

O que os arquivos desclassificados do MI5 revelaram?

 

Os arquivos desclassificados revelaram que a decisão de proteger Blunt foi estratégica, pois puní-lo poderia indicar aos soviéticos que o MI5 tinha conhecimento de suas atividades.

 

Como a rainha reagiu ao saber da traição de Blunt?

 

O secretário particular da rainha, Martin Charteris, relatou que Elizabeth encarou a notícia com calma e sem surpresas, sugerindo que ela já havia ouvido rumores sobre o caso.

 

Quando o caso de Blunt veio a público?

 

O caso de Blunt foi exposto publicamente em 1979 pela então primeira-ministra Margaret Thatcher no Parlamento.

 

Qual foi o impacto da revelação do caso Blunt?

 

Após a revelação, Blunt perdeu seu título de cavaleiro e foi amplamente condenado pela opinião pública.

 

Qual é a avaliação histórica do caso Blunt?

 

O caso é considerado um dos maiores escândalos de espionagem do século 20 no Reino Unido, refletindo um acordo pragmático entre o serviço secreto e a monarquia, onde a conveniência política prevaleceu sobre a transparência.

 

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.