Por que soldados trocam armas por joysticks no avanço da guerra comandada por drones
Ucranianos afirmam que gamers se adaptam com facilidade, embora reforcem que as missões reais envolvem riscos elevados
Internacional|Do R7
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Soldados de países da Otan têm adotado controles de videogame para pilotar drones usados em combate e relatam que a familiaridade com o equipamento acelera o treinamento e melhora o desempenho em operações reais. O sistema Merops, desenvolvido nos Estados Unidos, passou a integrar o arsenal de defesa aérea de Kiev desde o início do conflito.
O Merops reúne uma estação de controle terrestre, plataformas de lançamento montadas em veículos e o drone interceptor Surveyor. O pacote é entregue aos operadores com um controle de Xbox, o mesmo vendido para uso doméstico. O sargento americano Riley Hiner, que pilota o equipamento, afirmou que o gamepad se tornou a escolha natural. Hiner disse que o controle é compacto, fácil de transportar e guardar e destacou que os controles do Xbox são muito resistentes.
As forças americanas, polonesas e romenas treinam com o sistema. Hiner afirmou que muitos soldados jogam Xbox e disse que o controle é “muito intuitivo”. Segundo ele, quem já tem experiência com videogames aprende o esquema dos comandos e consegue colocar o drone em operação de forma rápida.
Esse tipo de interface já vinha sendo usada em outras plataformas militares e se tornou comum na guerra da Ucrânia, onde drones de primeira pessoa exigem controles semelhantes aos de videogame, além de telas e fones. Soldados e operadores ucranianos afirmam que jogadores se adaptam com facilidade, embora reforcem que as missões reais envolvem riscos elevados e exigem decisões rápidas. No caso do Merops, uma interceptação falha significa que o drone inimigo segue em direção ao alvo.
O sistema foi criado pela iniciativa americana Project Eagle e ganhou espaço após a Ucrânia registrar mais de mil interceptações de drones Shahed lançados pela Rússia. Polônia e Romênia já compraram o equipamento para reforçar a defesa de seus territórios após incursões recentes de drones russos. Os Estados Unidos participam do treinamento, mas não adquiriram a tecnologia.
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Um dos atrativos para os exércitos é o tempo reduzido de formação. Os operadores passam por um curso de duas semanas, período bem menor que o exigido para outros armamentos. O Brigadeiro-General Curtis King, comandante do 10º Comando de Defesa Aérea e de Mísseis do Exército dos EUA, afirmou que soldados sem qualquer experiência com drones conseguem aprender a tecnologia em poucos dias. King disse que, em duas semanas, os militares já demonstram capacidade de destruir um drone com eficácia e destacou que o processo não leva seis meses nem um ano.
O uso de controles comuns também reduz custos. Se o gamepad quebra, os militares podem comprar outro em plataformas de varejo. A simplicidade do equipamento contrasta com sistemas desenvolvidos exclusivamente para uso militar, que costumam ser mais caros e menos familiares para novos operadores.
Com guerras marcadas por ataques constantes de drones e pelo uso de tecnologia de baixo custo em larga escala, exércitos têm priorizado ferramentas que permitam reação rápida. No campo de batalha, a adaptação ao equipamento pode definir o resultado de uma interceptação e evitar destruição em solo. Para Hiner e outros soldados, a lógica é simples. Eles afirmam que o controle de videogame diminui a curva de aprendizado e abre espaço para que o foco seja a rota de interceptação, que segue como o maior desafio para os pilotos do Merops.
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