Por que Trump quer limitar salários milionários de CEOs da área de defesa nos EUA
Ofensiva contra salários e práticas financeiras faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump para a área militar
Internacional|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Donald Trump assinou na última quarta-feira (7) uma ordem executiva que muda de forma direta a relação entre o governo dos Estados Unidos e as maiores empresas da indústria de defesa. A medida impõe restrições à remuneração de executivos e ao uso de recursos corporativos por empresas que recebem contratos militares, com o objetivo de acelerar a produção de armamentos e reduzir atrasos e estouros de orçamento.
A ordem proíbe que empresas contratadas pela área de defesa recompre ações ou distribuam dividendos enquanto não conseguirem entregar produtos dentro do prazo e do orçamento acordados. Também determina que, em contratos futuros, os salários dos executivos poderão ser limitados caso o Secretário da Guerra considere o desempenho da companhia insatisfatório.
O texto ainda estabelece que a remuneração da alta cúpula das empresas não poderá estar ligada a resultados financeiros de curto prazo. Em vez disso, deverá ser vinculada à entrega no prazo, ao aumento da produção e ao apoio a investimentos e melhorias operacionais. Segundo a Casa Branca, a ideia é incentivar inovação e eficiência, e não a maximização de lucros.
LEIA MAIS
Trump reforçou esse discurso em publicações na rede Truth Social. “Os pacotes de remuneração dos executivos na indústria de defesa são exorbitantes e injustificáveis, considerando a lentidão com que essas empresas entregam equipamentos vitais para nossas Forças Armadas”, escreveu. Em outra mensagem, defendeu que nenhum executivo deveria ganhar “mais de 5 milhões de dólares” enquanto a velocidade de produção e de manutenção não melhorar.
Embora esse valor não esteja fixado formalmente na ordem executiva, a declaração expôs o contraste entre a proposta do presidente e os salários pagos aos líderes das maiores contratadas do Pentágono. Em 2024, os CEOs da Lockheed Martin, RTX, antiga Raytheon, Northrop Grumman, Boeing e General Dynamics receberam, cada um, mais de US$ 18 milhões em remuneração total. Esses valores incluem salário, bônus, opções de ações, benefícios e ajustes ligados a fundos de pensão e serviços de segurança.
Mesmo esses montantes ficam abaixo dos pacotes recebidos por executivos de outros setores. No ano passado, James Robert Anderson, da fabricante de materiais Coherent, ganhou mais de US$ 100 milhões. Os CEOs da Starbucks, da GE e da Microsoft receberam mais de US$ 75 milhões cada um.
A ofensiva contra salários e práticas financeiras faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump para a área militar. Na noite de quarta-feira, ele afirmou que o orçamento das Forças Armadas deveria chegar a US$ 1,5 trilhão em 2027, um salto em relação ao recorde de US$ 901 bilhões previsto para 2026. A sinalização de mais recursos ajudou a impulsionar as ações de empresas do setor na quinta-feira, depois de quedas registradas com o anúncio das novas regras.
As companhias reagiram de forma cautelosa. Em nota, a Lockheed Martin disse que “compartilha o foco do presidente Trump e do Departamento de Guerra em velocidade, responsabilidade e resultados, e continuará investindo e inovando em grande escala para garantir que nossos combatentes mantenham uma vantagem decisiva e nunca sejam enviados para uma luta justa”.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp











