Por que uma cidade na Austrália quer construir estátua em homenagem a lesma
Ideia é destacar uma espécie que não é encontrada em nenhum outro lugar do mundo e também chamar a atenção para a região
Internacional|Do R7
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Uma cidade do interior da Austrália quer transformar uma das criaturas mais incomuns de sua fauna em atração turística. Narrabri, no estado de Nova Gales do Sul, estuda construir uma estátua gigante da rara lesma rosa do Monte Kaputar, animal fluorescente encontrado exclusivamente na região.
Segundo a proposta, a obra poderá chegar a cerca de 20 metros de comprimento. O tamanho final, porém, dependerá dos recursos obtidos para viabilizar o projeto, segundo informações do Sydney Morning Herald, citadas também pela revista People.
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A ideia é homenagear uma espécie que não é encontrada em nenhum outro lugar do mundo e, ao mesmo tempo, chamar a atenção para Narrabri, cidade localizada a 520 quilômetros a noroeste de Sydney.
O prefeito local, Shire, Darrell Tiemens, defende que o monumento poderia se encaixar na tradição australiana de criar atrações de grandes proporções inspiradas em elementos culturais.
A proposta surgiu a partir de uma iniciativa de Alexandra Luxford, integrante do conselho municipal de Randwick, em Sydney. A sugestão foi apresentada no contexto de uma parceria entre as duas administrações, e o conselho de Randwick trabalha para ajudar Narrabri na busca por financiamento.
Lesma rara sobreviveu aos incêndios no país
A espécie, conhecida cientificamente como Triboniophorus aff. graeffei, vive nas áreas de maior altitude do Parque Nacional do Monte Kaputar, uma região formada sobre um antigo vulcão extinto.
De acordo com o Serviço de Parques Nacionais e Vida Selvagem de Nova Gales do Sul, o animal tem como principal característica a coloração rosa fluorescente, bastante incomum entre os moluscos.
Apesar da aparência chamativa, encontrar uma dessas lesmas na natureza não é simples. Elas costumam aparecer em períodos de chuva e em manhãs frias e com neblina. O animal tem hábitos noturnos e se alimenta de líquens, fungos e microalgas encontrados em troncos e superfícies rochosas.
O isolamento do Monte Kaputar contribuiu para a existência de espécies que não são encontradas em outras partes do planeta. Por isso, a lesma rosa é considerada um dos animais mais particulares da região.
A população da espécie chegou a ser motivo de preocupação após os incêndios que atingiram a Austrália entre 2019 e 2020. Havia receio de que as queimadas tivessem causado um impacto grave sobre os animais, já que eles dependem de um habitat bastante específico.
Novos registros, porém, mostraram que parte da população havia sobrevivido. Em janeiro de 2025, pesquisadores e visitantes encontraram grandes quantidades das lesmas no Monte Kaputar, indicando que a espécie continuava presente na região.
Para ajudar no monitoramento, o Serviço de Parques de Nova Gales do Sul mantém o Slug Sleuth, aplicativo que permite registrar avistamentos e reunir informações sobre onde e em quais condições os animais são encontrados.
A ideia de homenagear a lesma com uma escultura também não é inédita. A cidade de Boggabri, localizada nas proximidades, já possui uma estátua dedicada ao animal, segundo o Visit NSW.
A espécie também inspirou trabalhos artísticos. Em 2023, Griffin Barber, então com 13 anos, criou a obra Hug the Slug para um concurso australiano sobre espécies ameaçadas e venceu a categoria de obra de arte mais incomum.
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