Pousada no Japão pede a israelense que diga nunca ter se envolvido em crimes de guerra
Estabelecimento provocou protesto da Embaixada de Israel em Tóquio por pedir que o turista assinasse um termo de compromisso
Internacional|Do R7

Uma pousada em Kyoto, no Japão, pediu a um hóspede israelense que assinasse um termo de compromisso afirmando que nunca esteve envolvido em crimes de guerra.
Ao fazer o check-in na pousada, o turista foi solicitado a assinar um formulário intitulado “Compromisso de Não Envolvimento em Crimes de Guerra”. O israelense ficou confuso, mas assinou o papel e ficou hospedado por quatro noites.
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O gerente da pousada disse ao jornal japonês Asahi Shimbun que o formulário foi criado por causa de sua filosofia de não tolerar crimes de guerra. Além disso, seria uma forma de “garantir a segurança de outros hóspedes e funcionários devido à natureza da instalação, que tem muitos quartos compartilhados”.
O estabelecimento, localizado no bairro Higashiyama, um dos principais pontos turísticos de Kyoto, vem pedindo que alguns de seus hóspedes assinem o compromisso há cerca de seis meses.
O critério para selecionar quais turistas devem assinar o papel é baseado em decisões do Tribunal Penal Internacional e de agências da ONU, isso inclui cidadãos de dez países, entre eles Israel, Rússia e Síria. Além disso, os turistas devem ter servido nas forças armadas nos últimos dez anos.
Israel está envolvido em um conflito militar com militantes palestinos liderados pelo grupo terrorista Hamas na Faixa de Gaza e em Israel desde outubro de 2023.
A Embaixada de Israel soube do incidente, que ocorreu em abril, e o classificou como “discriminatório”, “inaceitável” e “causador de grande sofrimento emocional”. Além disso, pediu uma investigação pelo governo da prefeitura local.
O governo de Kyoto afirmou que a assinatura do compromisso é voluntária e não viola a Lei de Negócios Hoteleiros, que proíbe a recusa de acomodação de hóspedes, exceto em certas circunstâncias. Para a pousada, a prefeitura fez apenas um alerta de que algumas pessoas poderiam achar esse pedido discriminatório e inapropriado.
O gerente da pousada afirmou que nunca houve alguém que se recusasse a assinar o termo de compromisso, e que o estabelecimento nunca se recusou a acomodar seus hóspedes. E mesmo que os turistas se recusem a assinar, o estabelecimento não se recusará a acomodá-los.
Segundo o gerente, a pousada continuará solicitando assinaturas.
Este não é o primeiro incidente envolvendo turistas israelenses. Em junho de 2024, um hotel na mesma região de Kyoto se recusou a acomodar um cidadão de Israel porque ele poderia pertencer ao Exército. Na época, o governo local tomou medidas administrativas em relação à empresa responsável pelo hotel.









