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Prejuízo com degelo no Ártico pode passar de R$ 134 trilhões e superar economia mundial, diz estudo

A liberação do gás metano encontrado sob as camadas de gelo da região pode acelerar o processo de aquecimento global nas próximas décadas

Internacional|Do R7, com agências internacionais

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É preciso tomar atitudes para retardar o aquecimento global e evitar os efeitos climáticos devastadores
É preciso tomar atitudes para retardar o aquecimento global e evitar os efeitos climáticos devastadores

Uma pesquisa publicada na revista científica Nature revela que os custos do derretimento do gelo no Ártico podem chegar a R$ 134 trilhões (US$ 60 trilhões), um valor que se aproxima do Produto Interno Bruto (PIB) mundial de 2012, R$ 157 trilhões (US$ 70 trilhões).

A liberação das reservas de metano que os pesquisadores encontraram sob as camadas de gelo da região pode acelerar o processo de aquecimento global, interferindo no nível dos oceanos e modificando as condições climáticas e o cultivo de alimentos por todo o planeta nas próximas décadas.


No entanto, as regiões mais afetadas seriam as de economia mais pobre, como países da África, Ásia e América do Sul. Segundo o relatório, 80% desse impacto seria suportado pelos países em desenvolvimento, já que eles sofrem as condições meteorológicas mais extremas causadas pela mudança climática, como as inundações e as secas.

Fotógrafa registra a vida dos nômades do mar


Bar de gelo refresca calor do verão nova-iorquino

Os pesquisadores das universidades de Roterdã, na Holanda, e Cambridge, na Inglaterra, responsáveis pela pesquisa, também calcularam que se forem levados em conta outros impactos ambientais como a acidificação dos oceanos, o custo seria muito mais alto e superaria o PIB mundial do ano passado.


"O impacto global do aquecimento do Ártico é uma bomba relógio econômica", disse Gail Whiteman, um dos cientistas que lidera o estudo realizado no mar da Sibéria Oriental, no norte da Rússia, durante mais de dez anos.

— O iminente desaparecimento do gelo oceânico no Ártico terá enormes consequências, tanto para a aceleração da mudança climática como para as economias e sociedades globais.


Ainda segundo os pesquisadores, é esperado que a temperatura na Terra aumente dois graus Celsius entre os próximos 15 a 35 anos, dependendo das ações tomadas para retardar o processo. Para os cientistas é preciso manter, no máximo, esse aumento de dois graus até o final do século para evitar efeitos climáticos devastadores.

Após divulgarem os resultados da pesquisa, os cientistas pretendem fazer um pedido ao Fórum Econômico Mundial para que avalie os custos reais do derretimento do Ártico e influencie os líderes mundiais a "considerar esses impactos além do lucro a curto prazo com a extração de petróleo e gás" na região.

Ouro negro

A organização ambientalista internacional Greenpeace criou uma campanha contra a exploração comercial do Ártico. De acordo com os ativistas verdes, diante da falta de novas fronteiras para a extração de petróleo, a região se tornou uma opção interessante para algumas empresas do setor.

O grupo aponta que o derretimento vigente do território gelado está facilitando as operações de perfuração. Além disso, as rígidas legislações de outras nações combinadas com a competitividade do mercado atual garantiram a viabilidade e lucratividade dos empreendimentos no extremo norte.

Os ativistas acusam a empresa holandesa Shell e a russa Gazprom como as principais responsáveis pelos novos projetos petrolíferos na zona.

Apesar dos esforços globais para proteger o Ártico, que incluem tratados e convenções internacionais, o Greenpeace diz que as autoridades locais são coniventes com ações irresponsáveis dos empresários. Por isso, eles temem que os impactos de qualquer atividade extrativista causem futuros desastres ambientais na região, e consequentemente, podem afetar todo o planeta.

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