Príncipe saudita diz que ataques são 'teste' à comunidade internacional

Irã, por sua vez, fala em alerta aos 'inimigos da região'. Ofensiva a duas refinarias da Arábia Saudita foi reivindicada por rebeldes houthis do Iêmen

Mohammad bin Salman, príncipe herdeiro saudita

Mohammad bin Salman, príncipe herdeiro saudita

Courtesy of Saudi Royal Court via REUTERS/30.05.2019

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman, afirmou nesta quarta-feira (18) que os ataques cometidos no sábado (14) passado contra duas refinarias da petroleira saudita Aramco representam "um teste real para a vontade" da comunidade internacional sobre a forma de agir e encarar as ameaças.

"O que ocorreu é um teste real para a vontade internacional diante dos atos de sabotagem ameaçando a segurança e estabilidade internacional", disse Bin Salman ao presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, em ligação telefônica, segundo a agência estatal "SPA".

Durante a conversa, o governante sul-coreano informou que esses ataques não afetam apenas o reino, mas todo o mundo, e pediu à comunidade internacional "medidas severas e uma posição firme em relação a este tipo de ataques de sabotagem".

Bin Salman está na cidade litorânea de Jeddah, onde deve receber nesta quarta-feira o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo. Desde o primeiro momento, o representante americano apontou o Irã como responsável pelos ataques, acusação que o governo iraniano nega.

A ofensiva foi reivindicada pelos rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, mas a coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita declarou que os ataques foram realizados com armas iranianas e que não foram lançados do Iêmen.

A Arábia Saudita iniciou uma investigação sobre os ataques e convidou especialistas de todo o mundo e da ONU para que participem do processo.

Irã fala em alerta aos 'inimigos da região'

Já o presidente do Irã, Hassan Rohani, disse nesta quarta-feira que "inimigos da região aprenderam uma lição" com o ataque dos rebeldes houthis contra a companhia petrolífera saudita Aramco, que ele classificou de um "alerta" para acabar com a guerra no Iêmen.

"Os iemenitas não apontaram para uma escola, um hospital ou um mercado, mas atacaram um centro industrial para alertar seus inimigos", defendeu Rohani, referindo-se aos crimes de guerra atribuídos à coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, que intervém no Iêmen desde 2015 contra insurgentes.

Os houthis lançam ataques frequentes contra a Arábia Saudita, mas, nesta ocasião, os Estados Unidos denunciaram que o ataque com dez drones é obra do Irã e, por isso, o secretário de Estado, Mike Pompeo, viajou para Riad para coordenar uma eventual resposta.

Negando novamente o envolvimento do Irã nestes ataques, Rohani disse que os Estados Unidos "em vez de confessar a grandeza de nações como Síria e Iêmen, optam por lançar acusações".

"O Irã nunca quis conflitos na região e nunca os desejará", disse em seu discurso durante a reunião semanal do gabinete.

O presidente também insistiu que o povo iemenita não iniciou o conflito, mas que a "Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, alguns países europeus e o regime sionista foram os que começaram a guerra na região e destruíram o Iêmen".

Início do conflito no Iêmen

O conflito no Iêmen começou, no entanto, quando em 2014 os houthis assumiram o controle da capital Sana e expulsaram o presidente Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, mas se agravou com a intervenção da coalizão liderada por Riad.

Além disso, Hassan Rohani criticou a diferença entre o silêncio da comunidade internacional quando os Estados Unidos vendem armas no valor de centenas de bilhões de dólares para a Arábia Saudita e a "preocupação e raiva" mostradas diante dos ataques à Aramco.

"A política dos senhores (americanos) na região sempre se baseou na criação de guerra e, por 19 anos em qualquer lugar da região em que você veio, incluindo o Iraque, Afeganistão, Síria e Golfo Pérsico, trouxe insegurança", denunciou.

Dirigindo-se a seus rivais do Pérsico, especialmente a Arábia Saudita, Rohani enfatizou que o Irã nunca foi o primeiro a cortar laços diplomáticos e está interessado em "ter boas relações com todas as nações da região".

Riad rompeu relações diplomáticas com Teerã em 2016 e os dois países disputam a influência no Oriente Médio, apoiando lados rivais em vários conflitos, como o Iêmen.