Internacional Projeções mostram que Macron deve perder maioria absoluta no Parlamento francês

Projeções mostram que Macron deve perder maioria absoluta no Parlamento francês

De acordo com pesquisas, eleição legislativa deste domingo (19) terminará com um Parlamento dividido

Reuters

Resumindo a Notícia

  • França realiza eleições legislativas neste domingo (19).
  • Pesquisas mostram que Macron deve perder maioria absoluta do Parlamento.
  • Aliança de centro termina com maioria sem atingir maioria absoluta.
  • Segundo lugar deve ficar com bloco de esquerda liderado pelo veterano Jean-Luc Melenchon.
Aliança de Macron deve terminar com maioria dos assentos, mas sem atingir o número necessário

Aliança de Macron deve terminar com maioria dos assentos, mas sem atingir o número necessário

Ludovic MARIN / POOL / AFP

O presidente da França, Emmanuel Macron, estava a caminho de perder a maioria absoluta na Assembleia Nacional e o controle de sua agenda de reformas, após as primeiras projeções de quatro pesquisas mostrarem que a eleição legislativa deste domingo (19) terminará com um Parlamento dividido.

A aliança de centro de Macron deve terminar com a maioria dos assentos, mas sem atingir o número necessário para conseguir a maioria absoluta, segundo as pesquisas. Em segundo lugar deve ficar o bloco de esquerda liderado pelo veterano Jean-Luc Melenchon.

As previsões das empresas de pesquisa Ifop, OpinionWay, Elabe e Ipsos apontam para a aliança de Macron vencendo entre 200 e 260 assentos, e a esquerda entre 149 e 200. O número necessário para uma maioria absoluta é de 289 assentos na Câmara baixa.

Um Parlamento dividido iniciaria um período de incerteza política que exigiria um nível de compartilhamento de poder entre os partidos, algo que a França não viu nas últimas décadas, ou haveria uma paralisia política até novas eleições.

Se o resultado for confirmado, a capacidade de Macron de realizar reformas na segunda maior economia da zona do euro dependeria de sua habilidade de atrair moderados fora de sua aliança, na direita e na esquerda, para sua agenda legislativa.

Macron, de 44 anos, tornou-se em abril o primeiro presidente francês em duas décadas a conseguir um segundo mandato, mas governa um país profundamente desencantado e dividido, no qual cresceu o apoio a partidos populistas na direita e na esquerda.

Ele havia pedido um capital político forte durante uma campanha realizada no contexto de uma guerra no Leste Europeu que reduziu o fornecimento de comida e energia e fez a inflação disparar, corroendo o orçamento das famílias.

“Nada seria pior do que acrescentar desordem francesa à desordem do mundo”, havia dito o presidente, antes do segundo turno de votos.

A aliança de Melenchon fez campanha para congelar preços de bens essenciais, reduzir a idade de aposentadoria, limitar heranças e proibir que empresas que pagam dividendos demitam seus funcionários. Melenchon também defendeu desobediência em relação à União Europeia.

Os aliados políticos de Macron consideram Melenchon um “agitador sinistro” que destruiria a França. Christophe Castaner, uma das mais seniores parlamentares do partido governista, ridicularizou seu programa econômico ao dizer que era “repleto de clichês da era soviética”.

“É fora de questão para mim votar nas propostas absurdas de Melenchon — exilar-nos da Europa e outras coisas sem sentido como essa. E elas seriam impossíveis de financiar”, disse a aposentada Joyce Villemur, que votou em Sevres, nos arredores de Paris.

As estimativas iniciais mostraram que a aliança de esquerda ficou longe de conseguir uma maioria, mas impediu que Macron a obtivesse, e deve se tornar o maior bloco de oposição na Assembleia.

Se Macron e seus aliados não conseguirem uma maioria absoluta com ampla margem, como as projeções iniciais sugerem, eles podem buscar uma aliança com os conservadores ou tocar um governo de minoria que terá que negociar as leis com outros partidos caso a caso.

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