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Putin, alvo de ordem de prisão por crimes de guerra, não irá à cúpula do Brics para evitar polêmica

O líder russo estará presente de forma virtual às deliberações do grupo; a África do Sul sediará a reunião entre 22 e 24 de agosto

Internacional|Do R7

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Putin não vai à cúpula do Brics na África do Sul
Putin não vai à cúpula do Brics na África do Sul

A África do Sul informou nesta quinta-feira (20) que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, decidiu não participar da cúpula do grupo de economias emergentes Brics, organizada pelo país africano em agosto, para "não prejudicar" o evento nem "criar problemas" devido ao mandado de captura internacional contra ele.

"O presidente Putin compreende o dilema que a África do Sul enfrenta, mas não quis comprometer a cúpula nem criar problemas para a África do Sul", disse o representante diplomático sul-africano no bloco, Anil Sooklal, durante uma entrevista coletiva em Joanesburgo.

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Para Sooklal, a decisão do governante russo é um sinal da "maturidade e força do bloco". Embora Putin não se desloque à África do Sul, estará presente de forma virtual a todas as deliberações da cúpula, afirmou o diplomata sul-africano.

"Todas as questões que colocamos na agenda serão discutidas coletivamente, e estamos confiantes de que a cúpula será um sucesso", acrescentou.

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Nesta quarta-feira (19), o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, confirmou que o mandatário russo não participaria da cúpula dos Brics.

A África do Sul, que sediará o evento de 22 a 24 de agosto, em Joanesburgo, esteve no centro das atenções depois de ter confirmado, em março passado, o seu convite ao presidente russo para participar nas reuniões, apesar de um mandado de captura emitido pelo TPI (Tribunal Penal Internacional) contra ele por supostos crimes de guerra na Ucrânia.

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Como Estado-membro do TPI, a África do Sul é obrigada a cooperar na detenção de Putin, mas o país tinha evitado até agora revelar como procederia se o líder russo pousasse no seu território.

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No entanto, Ramaphosa se recusou a prender o presidente russo porque isso seria uma "declaração de guerra" contra a Rússia, de acordo com o Tribunal Superior de Gauteng, que publicou as observações anteriormente confidenciais do presidente contra a sua vontade na terça-feira (18).

A África do Sul afirma ter adotado uma posição neutra em relação à guerra da Rússia contra a Ucrânia e defende o diálogo e a diplomacia para resolver o conflito.

Essa posição não está apenas ligada ao papel estratégico, político e econômico de Moscou em alguns países africanos, mas também a razões históricas, como o apoio da Rússia aos movimentos anticoloniais e de libertação no século 20, incluindo a luta contra o regime segregacionista do apartheid.

Brasil, Rússia, Índia e China criaram o grupo Bric em 2006, ao qual a África do Sul aderiu em 2010, acrescentando a letra S ao bloco. 

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