Internacional Putin promulga lei que pode excluir opositores de eleições

Putin promulga lei que pode excluir opositores de eleições

Lei é vista pelos críticos do governo como ferramenta que tem como alvo partidários do opositor preso Alexei Navalny

AFP
Putin promulga lei que abre caminho para exclusão de opositores

Putin promulga lei que abre caminho para exclusão de opositores

Sputnik/Sergey Ilyin/Kremlin via REUTERS - 21.5.2021

O presidente russo Vladimir Putin promulgou, nesta sexta-feira (4), a lei que proíbe colaboradores de organizações "extremistas" de participar de eleições, medida condenada pela oposição, que a vê como um meio de silenciá-la antes das eleições legislativas de setembro.

A lei, aprovada pelos deputados em maio e na quarta-feira pelos senadores do Conselho da Federação, foi promulgada nesta sexta por Vladimir Putin, segundo documento publicado no site oficial das legislações russas.

Esta nova lei é vista pelos críticos do governo como uma nova ferramenta que tem como alvo os partidários do opositor preso Alexei Navalny.

A Promotoria pediu à Justiça que classifique essas organizações como "extremistas", porque elas planejam "desestabilizar a situação social" na Rússia.

Há poucas dúvidas sobre onde terminará este processo, já que a rede de escritórios regionais do ativista foi classificada como "extremista" pelos serviços financeiros reguladores.

A equipe de Navalny denunciou o desejo do Kremlin de neutralizar seu movimento e de silenciá-lo antes das eleições de 19 de setembro, em um momento em que o partido no poder, Rússia Unida, cai nas pesquisas de intenção de voto, apesar da popularidade de Putin. Seu declínio se deve fundamentalmente à situação financeira complicada e aos múltiplos escândalos de corrupção.

A pressão contra as vozes críticas aumentou nos últimos dias entre os adeptos de Navalny, preso desde janeiro e com a perspectiva de ter que passar dois anos na prisão.

Vários críticos do poder russo foram alvos de operações policiais nos últimos dias e um deles, Andrei Pivovarov, que dirigia a organização Rússia Aberta - ligada ao oligarca no exílio Mikhail Khodorkovsky -, foi detido e colocado sob custódia por dois meses.

Alexei Navalny foi preso ao retornar à Rússia em janeiro, após meses de convalescença devido a um envenenamento atribuído por ele ao Kremlin. 

O opositor foi então condenado a dois anos e meio de prisão em um caso que data de 2014, e que ele denuncia como político.

Ele fez uma greve de fome de 24 dias em abril para denunciar suas condições de detenção em uma colônia penal.

O adversário, que completa 45 anos nesta sexta-feira, disse em mensagem postada no Instagram que agradece "sinceramente a todas as pessoas que me cercam e me apoiam", e garantiu manter o moral. 

"Espero poder dizer hoje que o meu sucesso do ano é que me mantenho longe do estado de espírito de uma 'fera em uma gaiola'", acrescentou, referindo-se à sua detenção e "às muitas coisas estranhas que me aconteceram durante o ano".

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