Internacional Quase 370 são presos em dois dias de protestos no Equador

Quase 370 são presos em dois dias de protestos no Equador

Violência após anúncio de pacote que incluiu um aumento no preço dos combustíveis prosseguiu no Equador, com mais protestos e prisões

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Polícia jogou bombas contra manifestantes em Quito

Polícia jogou bombas contra manifestantes em Quito

Ivan Alvarado / Reuters - 4.10.2019

Manifestantes equatorianos paralisaram os transportes e fizeram barricadas nas ruas pelo segundo dia, nesta sexta-feira (4), quando 370 pessoas foram presas devido a distúrbios provocados pela decisão do presidente Lenin Moreno de retirar subsídios ao combustível.

O presidente está implementando um pacote de aperto fiscal para cumprir um acordo de 4,2 bilhões de dólares (cerca de R$ 17 bilhões) com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Mas a eliminação dos subsídios ao combustível que durava décadas irritou muitos equatorianos e desencadeou protestos violentos em uma nação com um histórico de volatilidade política.

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Desde a capital, Quito, até a cidade costeira de Guayaquil muitos serviços de ônibus e táxis foram interrompidos, enquanto manifestantes bloquearam vias com pneus, pedras e galhos, embora em menor número do que no dia anterior.

Na quinta-feira, dia em que os preços dos combustíveis subiram, manifestantes mascarados atiraram pedras, instalaram bloqueios e confrontaram policiais, que usaram carros blindados e gás lacrimogêneo durante a pior agitação em anos no país de 17 milhões de habitantes.

Os sindicatos de transporte lideraram os protestos, que contaram também com grupos indígenas, estudantes e outros sindicatos. Líderes dos protestos disseram que as manifestações vão continuar e convocaram uma greve nacional para a próxima quarta-feira.

A popularidade de Moreno caiu para menos de 30% em comparação com mais de 70% após a eleição de 2017, mas sua posição política parece firme, com o apoio da elite empresarial, lealdade militar e ausência de uma oposição forte.

No entanto, os equatorianos estão cientes de que os protestos derrubaram três presidentes durante turbulências econômicas na década anterior à ascensão de Correa ao poder em 2007.

Moreno declarou estado de emergência por 60 dias em todo o Equador. Soldados e policiais vigiavam o palácio presidencial no centro de Quito.

Até o início da noite de sexta-feira, 368 pessoas tinham sido presas, principalmente em Quito e Guayaquil, informou o Ministério do Interior. Saques foram relatados em Guayaquil. As autoridades dizem que 59 policiais haviam ficado feridos, uma dúzia de carros da polícia destruídos e um prédio do governo local foi atacado.

O líder dos caminhoneiros, Luis Vizcaino, pediu diálogo com o governo. "Todos os setores de transporte do Equador estão em crise... temos que nos sentar... precisamos chegar a uma medida intermediária", disse ele à TV local. O líder do sindicato dos taxistas, Jorge Calderón, estava entre os detidos.

Os preços do diesel subiram de 1,03 dólar (cerca de R$ 4,18) para 2,30 dólares (cerca de R$ 9,33) por galão de 4,5 litros na quinta-feira, e a gasolina foi de 1,85 (cerca de R$ 7,55) dólar para 2,39 dólares (cerca de (cerca de R$ 9,7).

Moreno disse estar aberto a negociações, mas ressaltou que não havia possibilidade de restaurar os subsídios aos combustíveis que, segundo ele, danificaram a economia e custaram aos cofres do Estado 60 bilhões de dólares ao longo dos anos.

"Haverá mecanismos para aliviar o impacto em alguns setores", afirmou. "Mas ouçam com clareza: não vou mudar a medida, o subsídio acabou."

Confira imagens do segundo dia de protestos no Equador