Quase 40 kg de cocaína mantidos por tribunal de Fiji são substituídos por farinha
Ilha enfrenta problemas com tráfico de drogas, sendo considerada um ponto de trânsito de substâncias na região
Internacional|Jessie Yeung e Todd Symons, da CNN Internacional
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Quase 40 kg de cocaína, armazenados como prova para um grande julgamento de drogas em Fiji, foram roubados de um tribunal, com a maior parte sendo trocada por farinha, relatou a mídia local, em um caso que destaca a luta do ponto turístico do Pacífico Sul contra um tráfico de narcóticos.
A cocaína, avaliada em 30 milhões de dólares de Fiji (cerca de R$ 69 milhões, na cotação atual), foi apreendida em um caso de 2019 envolvendo o cidadão fijiano-canadense Joshua Rahman. Ele foi condenado por posse ilegal, de acordo com registros oficiais.
As drogas confiscadas permaneceram armazenadas no Tribunal Superior de Suva enquanto os recursos eram ouvidos — mas, durante uma inspeção em 15 de setembro, as autoridades descobriram que 7 de 39 barras de cocaína estavam desaparecidas, disse a polícia.
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Isso deu início a uma investigação que finalmente descobriu que toda a cocaína restante era falsa e que nada da cocaína original apreendida restava.
“Os testes forenses realizados nas provas de drogas restantes deram todos negativo”, disse a polícia em um comunicado na terça-feira (29).
“As provas foram todas adulteradas e a investigação está focada naqueles diretamente encarregados da gestão das provas no Cartório do Tribunal Superior.”
O comissário de polícia Rusiate Tudravu disse na quarta-feira (30) que a cocaína foi colocada no cofre do Tribunal Superior em março de 2021, mas não está claro quando o roubo aconteceu.
As provas foram confirmadas como sendo cocaína em um teste anterior em 2019.
A polícia identificou seis pessoas de interesse que trabalham no departamento judiciário e que teriam acesso ao cofre, e uma dessas pessoas estava atualmente fora do país, disse Tudravu durante uma coletiva de imprensa.
Os oficiais agora estão verificando duas vezes todas as outras provas no tribunal, incluindo dinheiro apreendido.
O roubo da cocaína levantou sérias questões sobre a segurança no sistema judicial do país e provocou indignação do público e dos legisladores.
“A substituição da cocaína por farinha, ou o que quer que seja, é uma triste denúncia de... quem quer que seja o responsável”, disse o político da oposição Jone Usamate, falando no Parlamento. “Como você sabe agora que o que está em todas essas provas é realmente o que se afirma estar nas provas?”
O Ministro da Justiça, Siromi Turaga, expressou sua “decepção” e choque, acrescentando que as autoridades agora estão trabalhando para melhorar a segurança e revisar os protocolos existentes no Tribunal Superior.
Um arquipélago famoso por sua cultura amigável, praias de areia branca e recifes de corais abundantes, Fiji tem lutado há anos para conter um boom de drogas.
O país emergiu como um ponto de trânsito crucial para narcóticos, sendo traficados das Américas para mercados lucrativos na Austrália, Nova Zelândia e partes da Ásia.
Grandes estoques de metanfetamina contrabandeados para as ilhas por cartéis estimularam uma crise generalizada de dependência, vista como um impulsionador chave de uma epidemia de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) que Fiji recentemente declarou como emergência nacional.
O desaparecimento da cocaína “chegou em um momento em que estamos falando sobre crime transnacional”, disse Turaga, acrescentando que “isso mostra a magnitude do problema que estamos enfrentando”.
“Ninguém está imune a isso. Nenhuma pedra ficará sobre pedra. Qualquer pessoa considerada culpada será responsabilizada”, disse ele.
Este não é o primeiro incidente desse tipo, ou sequer o único este ano; no início de março, a polícia descobriu que outros 12 kg de cocaína confiscada relacionados a um caso criminal separado também haviam desaparecido.
Jornalistas locais na coletiva de imprensa de quarta-feira pressionaram o comissário de polícia sobre o motivo de a segurança não ter sido reforçada após a descoberta de março e se isso poderia ter evitado o segundo caso de drogas roubadas.
“Todos nós estamos preocupados. O governo está preocupado. Eu estou preocupado com isso”, disse Tudravu. “É por isso que estamos tentando o nosso melhor para conduzir a investigação o mais rápido que pudermos.”
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