Internacional Quem é o líder da máfia italiana que fugiu da prisão no Uruguai

Quem é o líder da máfia italiana que fugiu da prisão no Uruguai

Rocco Morabito, conhecido como o 'Rei da Cocaína' de Milão, viveu durante 13 anos em Punta Del Este com um passaporte brasileiro falso 

Rocco Morabito escapou pelo telhado do Presídio Central de Montevidéu

Rocco Morabito escapou pelo telhado do Presídio Central de Montevidéu

Raúl Martínez / EFE / 24.6.2019

Na manhã de segunda-feira (24), o Uruguai acordou com a notícia de que Rocco Morabito, um dos principais líderes da máfia calabresa 'Ndrangheta, havia fugido com mais três comparsas do Presídio Central em Montevidéu. Ele estava detido no local desde que foi preso, em setembro de 2017.

Durante pelo menos 15 anos, ele viveu na cidade litorânea de Punta del Este, mas com nome e nacionalidade. De 2002 a 2017, ele atendia por "Francisco Capeletto", um empresário brasileiro que vivia da compra e venda de soja.

Enquanto isso, era um dos 5 homens mais procurados por tráfico internacional de drogas na Itália. Conheça um pouco da história dele.

'Rei da cocaína de Milão'

Com 25 anos, ele começou a se destacar na máfia calabresa, como braço direito de seu tio, o líder da 'Ndrangheta Domenico Antonio Mollica. Morabito fez parte da organização de 1988 a 1994, segundo a polícia italiana.

Conhecido por ter um estilo mais discreto e que pregava um uso menor da violência entre as famílias, Rocco fez fama por circular entre banqueiros e investidores de Milão e, como conseguia fornecer droga de boa qualidade, ficou conhecido como o 'rei da cocaína' da cidade.

Segundo investigadores da época, em pouco mais de 2 meses o mafioso conseguiu faturar em torno de 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 32,7 milhões). Durante uma investigação a polícia chegou a fazer uma foto dele em Milão cercado de guarda-costas que carregavam maletas cheias de dinheiro.

Fuga para a América do Sul

Mafioso vivia no Uruguai com passaporte brasileiro

Mafioso vivia no Uruguai com passaporte brasileiro

Polícia da Itália via EFE

No fim de 1994, Morabito se tornou um dos homens mais procurados da Itália. A polícia gravou telefonemas em que ele negociava a compra de quase uma tonelada de cocaína da América do Sul, numa transação de cerca de 8 milhões de euros (pouco menos de R$ 35 milhões).

Ele já havia chamado a atenção da Interpol em anos anteriores, ao organizar o envio de um carregamento de 592 kg de cocaína em 1992 e outro de 630 kg da droga em 1993. Nas duas ocasiões, os entorpecentes foram enviados do Brasil para a Itália.

Segundo a polícia uruguaia, ele passou alguns anos no Brasil, onde conseguiu seu passaporte falsificado, e se estabeleceu no país vizinho em 2002. Durante os 15 anos seguintes, viveu uma vida normal, sem que seus conhecidos soubessem que se tratava de um homem procurado pelas polícias de vários países.

Erro na matrícula

Até que, no início de 2017, ele cometeu um erro e preencheu a ficha de matrícula de sua filha em um colégio na cidade de Maldonado, cidade vizinha a Punta Del Este, com seu sobrenome italiano. Foi assim que a polícia do Uruguai descobriu que ele fugia da prisão há mais de duas décadas.

Em setembro de 2017, Rocco Morabito foi preso em um hotel em Montevidéu, para onde havia se mudado após uma briga com a mulher. Desde então, estava no Presídio Central da capital uruguaia, aguardando uma decisão sobre o pedido de extradição feito pelo governo italiano.

Antes que ele pudesse ser enviado de volta para seu país natal, conseguiu escapar pelo telhado da prisão e até o momento ainda não foi localizado.

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