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Quem são os homens armados que assumiram o controle da Crimeia?

Pontos estratégicos da região foram tomados por milícias sem identificação

Internacional|Do R7

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Soldados comuns ou forças especiais do exército russo, mercenários a serviço de Moscou, voluntários ucranianos pró-russos: quem são os homens armados que tomaram o controle das instituições e dos aeroportos na república autônoma da Crimeia, à frente das tensões separatistas?

Equipes vestidas num uniforme verde oliva desprovidas de patentes, com os rostos escondidos sob máscaras, armadas com fuzis e metralhadoras, caladas diante das perguntas dos jornalistas, que assumiram o controle do Parlamento e do governo da Crimeia, assim como dos principais aeroportos da região.

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Ao seu lado, militantes não armados que se auto-proclamam membros de grupos locais de auto defesa não escondem sua ideologia pró-Rússia e de sua recusa das novas autoridades ucranianas, após a destituição de Viktor Yanukovytch, após três meses de intensas manifestações populares e confrontos que deixaram 83 mortos em três dias em Kiev.

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"Nós estamos aqui para evitar que os fascistas que tomaram conta do poder em Kiev venham para cá", explica Vladimir, 46 anos, civil que se apresenta como antigo oficial.

Segundo o site americano Daily Beast, citando fontes em Moscou, estes homens são membros de uma sociedade militar privada, contratados pelo governo russo para proteger suas tropas na Crimeia.

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Mas, para as autoridades ucranianas, não há dúvidas de que tratam-se de militares russos da frota do Mar Negro, sediada em Sebastopol.

"A Rússia enviou tropas à Crimeia e tomou conta não só do parlamento e da sede do governo, como também quer tomar o controle dos meios de comunicação (...) Moscou deve parar imediatamente com essa provocação e convocar os militares na Crimeia", declarou, na noite de sexta-feira, o presidente interino da Ucrânia, Olexandre Tourtchinov.

O pensamento do presidente ucraniano é compartilhado pelo especialista em defesa Serguii Zgourets. "A maneira como esses homens saem dos veículos, seguram suas armas, tudo mostra que tratam-se de fuzileiros navais da frota russa do Mar Negro".

"As unidades de auto-defesa (civis pró-russos na Crimeia, ndlr) não têm o preparo necessário, nem as quantidades necessárias de armas e equipamentos", ressalta.

A revista ucraniana Dzerkalo Tyjnia, na edição deste sábado, fala em "combatentes das forças especiais do exército russo cujo objetivo é fazer operações no exterior quando os interesses nacionais da Rússia estão em jogo".

A Crimeia foi conquistada pela Rússia no século 18, quando pertencia aos Tártaros, vassalos do império otomano. Ela fazia parte da Rússia durante a União Soviética e só foi incorporada à Ucrânia em 1954. A península abriga até hoje a frota russa do Mar Negro, mediante acordo entre os dois países.

Os termos deste acordo foram violados, segundo Kiev, que lembra que a Rússia deve avisar a Ucrânia com antecedência antes de tomar qualquer medida na península. Segundo o ministro ucraniano da Defesa, Igor Tenioukh, a Rússia aumentou em 6.000 homens seu efetivo na Crimeia.

Mas Moscou garante seguir à risca os acordos entre os dois países: "o deslocamento de alguns carros da frota do Mar Negro foi feito seguindo as normas e não precisava de nenhuma autorização" de Kiev.

Ao mesmo tempo, a Rússia garantiu que não iria "ignorar" o pedido de ajuda feito pelo novo primeiro-ministro da Crimeia, Serguii Axionov, eleito pelo parlamento local numa sessão a portas fechadas. Axionov não precisou, contudo, de qual tipo de ajuda estava falando.

A presidente do Senado russo, Valentina Matvienko, afirmou ser "possível" o envio de um "contingente limitado para garantir a segurança da frota no Mar Negro e dos cidadãos russos que vivem na Crimeia".

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