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Racismo e discurso de ódio motivam ataque terrorista na Nova Zelândia 

Homem que reivindica o atentado deixou rastros na internet com menções a ataques a muçulmanos e a outros terroristas de extrema-direita

Internacional|Cristina Charão e Carolina Vilela*, do R7

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Imagem de munição com nomes de líderes de extrema-direita foi postada na internet
Imagem de munição com nomes de líderes de extrema-direita foi postada na internet

Registros na internet e inscrições na arma usada para atirar e matar dezenas de pessoas em duas mesquitas em Christchurch, na Nova Zelândia, caracterizam o ataque como terrorismo de extrema-direita, motivado por xenofobia, discurso de ódio e islamofobia.

Em fotos postadas pelo homem que reivindica o ataque em redes sociais, é possível ler o nome de diversas lideranças ligadas a organizações e ideologias de extrema-direita.

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Em uma delas, é possível ler a inscrição "14s", uma menção conhecida entre grupos de extrema-direita. Quatorze é o número de palavras do que é considerado um "discurso fundador" para os supremacistas brancos, de autoria de David Lane, ex-membro da Ku Klux Klan e fundador de uma organização racista dos EUA chamada The Order (A Ordem), responsável por vários ataques no país.

Lane, que foi preso por conspiração e violação de direitos civis por conexões com o assassinato de um radialista judeu em 1984, diz nestas 14 palavras que é dever dos supremacistas "garantir a existencia da nossa raça e o futuro das crianças brancas".

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Nas inscrições, também há referências diversas a massacres de muçulmanos, de ataques recentes a batalhas históricas como "Viena 1683", um combate entre forças austríaco-polonesa-alemãs e do Império Otomano naquele ano que deixou 15 mil mortos do lado.

Vídeo mostra armas com mesmas inscrições
Vídeo mostra armas com mesmas inscrições SOCIAL MEDIA/SOCIAL MEDIA WEBSITE/via REUTERS

No vídeo transmitido ao vivo pela internet pelo terrorista, é possível perceber que as armas usadas estão cobertas de inscrições em branco que coincidem com as imagens postadas nas redes antes do ataque.

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Manifesto cita outros terroristas como inspiração

Em um auto-declarado manifesto deixado nas redes, em mais de 80 páginas, o homem que reivindica o atentado afirma ter planejado o ataque sozinho e não estar ligado a nenhum grupo ou organização.

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Ele também faz referências a dezenas de personalidades ligadas a organizações ultra-nacionalistas e políticos de extrema-direita e cita como inspiração dois responsáveis por ataques terroristas supremacistas na história recente.

Um deles é Dylann Roof, supremacista branco e terrorista confesso, responsável pela morte de 9 pessoas na Igreja Metodista Africana Emanuel em Charleston, na Carolina do Sul (EUA). Roof afirmou que cometeu o ataque para iniciar uma guerra racial nos EUA.

O desejo de iniciar uma guerra racial também aparece em outros momentos do chamado manifesto, que ainda menciona o ataque como o início de uma grande substituição de muçulmanos e outras minorias por brancos.

Outra das "inspirações" do homem que reivindica o ataque na Nova Zelândia é o terrorista de extrema-direita norueguês Anders Behring Breivik. Ele é autor confesso de dois ataques que tinham como foco membros do Partido Trabalhista da Nouega e que resultaram na morte de 77 pessoas em 2011.

* Estagiária do R7, sob supervisão de Cristina Charão

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