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Internacional Republicanos se consolidam na Flórida, enquanto democratas 'comemoram' pequena derrota

Republicanos se consolidam na Flórida, enquanto democratas 'comemoram' pequena derrota

Eleições de meio de mandato funcionam como teste de apoio ou desaprovação para o governo de Joe Biden

AFP

Resumindo a Notícia

  • Onda republicana, que era esperada, não se consolidou nas urnas
  • Controle do Senado continua indefinido, com democratas como favoritos para ter maioria
  • Flórida, que era visto como estado 'roxo', se mostrou em uma virada vermelha republicana
  • De olho em 2024, governador eleito na Flórida pode ser pedra no sapato de Donald Trump
Capitólio, em Washington, recebe o Senado e a Câmara dos Representantes dos EUA

Capitólio, em Washington, recebe o Senado e a Câmara dos Representantes dos EUA

Samuel Corum/Getty Images North America/Getty Images via AFP - 9.11.2022

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos vão marcar o panorama político para os próximos dois anos. Com resultados ainda em aberto em várias disputas cruciais, a AFP enumerou cinco pontos-chave para se levar em consideração, após as "midterms".

Não houve 'onda vermelha' republicana

Tradicionalmente, o partido da situação perde assentos nas eleições de meio de mandato e, com a popularidade de Joe Biden estancada abaixo de 40% e os republicanos criticando-o pela inflação e pela criminalidade, muitos especialistas previam uma derrota estrondosa para os democratas.

Na Câmara de Representantes, os primeiros resultados sugerem que os republicanos estão a caminho de obter a maioria, mas apenas por um punhado de cadeiras, muito longe das previsões.

O congressista republicano Kevin McCarthy, que aspira a ser o próximo presidente da Câmara baixa, mostrou otimismo na noite de terça-feira (8), à medida que a contagem de votos avançava: "Está claro que vamos recuperar a Câmara".

Já o influente senador Lindsey Graham, um dos principais aliados do ex-presidente Donald Trump, admitiu, em entrevista à rede NBC, que a eleição "definitivamente não é uma onda republicana, isso é certo".

A NBC News projetou que os republicanos provavelmente ganharão 220 assentos, conseguindo, assim, apenas uma pequena maioria de duas cadeiras.

Controle do Senado ainda indefinido

O controle do Senado de cem assentos, atualmente dividido em 50 a 50 entre republicanos e democratas, dependia nesta quarta-feira (9) de quatro disputas-chave que ainda estavam no fio da navalha.

Os democratas precisam de mais duas vitórias para manter o domínio na Câmara Alta, com a vice-presidente Kamala Harris no desempate, enquanto os republicanos precisam de três para alcançar a maioria.

No Arizona, em Nevada e em Wisconsin, os votos no Senado podem levar dias para serem contados. E a Geórgia pode ir, inclusive, para um segundo turno marcado para 6 de dezembro.

Os democratas esperavam ganhar assentos de senadores republicanos que se aposentam na Carolina do Norte, em Ohio e na Pensilvânia. Tiveram sucesso apenas neste último, graças à vitória do vice-governador John Fetterman, que sofreu um derrame cerebral durante a campanha, sobre o médico celebridade de TV Mehmet Oz, apoiado por Trump.

Flórida, novo reduto republicano

Anteriormente considerado um estado "roxo", que poderia votar tanto nos democratas quanto nos republicanos, a depender de cada eleição, a Flórida parece ter-se inclinado, permanentemente, para o campo republicano, após grandes vitórias na Câmara de Representantes.

Além disso, o governador Ron DeSantis foi reeleito com uma diferença de quase 20 pontos em relação ao seu adversário democrata, o suficiente para alimentar as ambições de concorrer à Casa Branca, em 2024.

Desta vez, o condado de Miami-Dade, geralmente comprometido com a causa democrata, votou esmagadoramente em DeSantis, um sucesso atribuído pelo jornal Miami Herald ao desempenho com o eleitorado hispânico.

De olho em 2024

Uma das vitórias mais decisivas de terça-feira (8) foi a da estrela republicana em ascensão DeSantis, potencial candidato à Casa Branca em 2024. DeSantis deve enfrentar, no entanto, um duro desafio de outro residente desse estado: Trump, que disse que fará um anúncio "emocionante" em 15 de novembro.

Do lado democrata, a governadora Gretchen Whitmer foi reeleita em Michigan, um estado-chave para a corrida presidencial.

Vários candidatos que concorreram nas primárias democratas de 2020, incluindo o agora secretário dos Transportes, Pete Buttigieg, e a senadora Amy Klobuchar, fizeram aparições de campanha em disputas importantes, alimentando especulações de que eles avaliam concorrer novamente, caso Biden desista.

Diversidade crescente

A democrata Maura Healey fez história como a primeira governadora abertamente lésbica eleita nos Estados Unidos, após vencer com folga a corrida no estado de Massachusetts, no nordeste do país. No vizinho New Hampshire, James Roesener se tornou o primeiro homem abertamente transgênero eleito para uma legislatura estadual, juntando-se a várias mulheres trans já no cargo.

O estado de Maryland, vizinho da capital federal Washington, D.C., elegeu o primeiro governador negro, Wes Moore, cujo crescente protagonismo sugere uma possível candidatura nacional.

E Maxwell Frost, de 25 anos, foi eleito congressista pela Flórida, tornando-se o primeiro membro da Geração Z (que reúne os adolescentes e jovens de hoje) a chegar à Câmara de Representantes dos Estados Unidos.

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