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Reunião sobre Venezuela na ONU evidencia divisões entre líderes e termina sem avanço

Conversas e negociações bilaterais devem continuar nos bastidores, além da reunião realizada na sede da ONU nesta segunda

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a Venezuela terminou sem consenso entre os líderes globais.
  • Brasil e outros países condenaram os ataques dos EUA à Venezuela, destacando a violação da soberania do país.
  • A Rússia e a China expressaram apoio à Venezuela, enquanto os EUA defenderam suas ações como necessárias pela lei.
  • A vice-secretária-geral da ONU destacou preocupações com o respeito às normas do direito internacional após os ataques.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Venezuela Ambassador to the United Nations Samuel Reinaldo Moncada Acosta speaks as he holds up a news article, during a UN Security Council meeting on U.S. strikes and the capture of Venezuelan President Nicolas Maduro and his wife, Cilia Flores, at the United Nations headquarters in New York, U.S., January 5, 2026. REUTERS/Brendan McDermid
Embaixador venezuelano Samuel Moncada disse que ataque dos EUA abre precedente perigoso Brendan McDermid/Reuters - 5.1.2026

A primeira reunião do CSNU (Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas) de 2026, convocada em caráter extraordinário para debater o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, terminou sem consenso, como tem sido o desfecho da maioria dos temas debatidos no órgão máximo de segurança da ONU.

No encontro, convocado pela Colômbia — e com o apoio de Rússia e China, ambos com assentos permanentes no CSNU —, ficou evidente a divisão dos líderes globais sobre os acontecimentos do fim de semana que resultaram na queda do ditador Nicolás Maduro.


Apesar da falta de avanços, as conversas e as negociações bilaterais devem continuar nos bastidores, além da reunião realizada na sede da ONU, em Nova York, nesta segunda-feira (5), conforme fontes.

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Algum membro do Conselho Segurança poderia propor um texto de resolução sobre o ataque dos EUA à Venezuela, diz uma delas, na condição de anonimato.


Mas, por ora, isso ainda não ocorreu, e o texto também poderia ser vetado pelos EUA, explica um segundo diplomata. O direito de veto dos membros permanentes do CSNU, aliás, tem impedido o órgão de agir em relação a diferentes conflitos.

Órgão máximo de decisão, o CSNU é composto por 15 países, sendo cinco deles com assento permanente e dez com vagas rotativas. Os membros permanentes são China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — todos têm poder de veto.


Participação do Brasil

O Brasil, que solicitou participar da reunião, instou o CSNU a assumir sua responsabilidade em relação aos ataques dos EUA à Venezuela. Defendeu ainda que o órgão tem de reagir com “determinação, clareza e obediência ao direito internacional, a fim de impedir que a lei da força prevaleça sobre o Estado de Direito”.

O representante permanente do Brasil na ONU, Sérgio Danese, afirmou que os bombardeios em território venezuelano e a captura de Maduro ultrapassam uma “linha inaceitável” e “abrem um precedente perigoso”.


O diplomata discursou em espanhol, um ato de simbolismo em sua fala, normalmente feita em inglês, e reforçou o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como esperado.

“Esses atos constituem uma grave afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, disse Danese.

Ele afirmou que, pela primeira vez, ocorreu um “evento profundamente alarmante” na América do Sul e que a região é uma “zona de paz”.

O diplomata ainda enfatizou que o Brasil não acredita que a solução para a situação na Venezuela seja a criação de “protetorados”, mas sim ações que respeitem a autodeterminação do seu povo, dentro dos limites da Constituição do país.

Embaixador dos EUA rebate acusações

Em contraste, o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, rebateu as acusações de representantes da América Latina e disse que os EUA “não estão ocupando” a Venezuela. Em seu discurso, afirmou que a operação do último sábado foi uma “aplicação da lei” diante de acusações legais que existem há décadas.

“O presidente [Donald] Trump deu uma chance à diplomacia. Ele ofereceu a Maduro múltiplas ofertas. Ele tentou desescalar. Maduro se recusou a aceitá-las”, disse Waltz, acrescentando que os EUA acreditam que um “futuro melhor” para o povo da Venezuela e do mundo é “estabilizar a região”.

“Os Estados Unidos não vacilarão em nossas ações para proteger os americanos da praga do narcoterrorismo e buscar paz, liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, pontuou.

Embaixador venezuelano condena ação americana

O embaixador permanente da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, disse que o ataque dos EUA foi uma flagrante violação à integridade territorial e independência política do país e que estabelece um “precedente extremamente perigoso” para os países membros da ONU, independentemente de tamanho, poder ou alianças.

“O dia 3 de janeiro de 2026 é uma data de profunda importância histórica, não só para a Venezuela, mas para o sistema internacional. Nesse dia, na América, a Venezuela foi alvo de um ataque armado ilegítimo, sem qualquer justificativa legal, por parte do governo dos Estados Unidos”, disse.

Colômbia, Rússia e China defendem Venezuela

Por sua vez, representantes da Colômbia, Rússia e China condenaram novamente os ataques dos EUA à Venezuela, reforçando o seu apoio ao país e pedindo uma solução diplomática.

A Rússia criticou os atos dos EUA, apontando “hipocrisia e cinismo”. A China acusou os americanos de sequestrarem Maduro e sua mulher e disse que está “profundamente chocada” com o ataque à Venezuela, reafirmando posicionamento divulgado no sábado.

“Isso representa uma evidente violação da soberania, independência política e a integridade territorial da Venezuela. Não há nenhuma justificativa, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força, para cometer um ato de agressão”, disse a embaixadora da Colômbia na ONU, Leonor Zalabata. O país solicitou a reunião para debater os ataques dos EUA à Venezuela.

Demais manifestações

Representante da Argentina também reafirmou posição mais alinhada aos EUA e defendeu “uma transição segura” na Venezuela.

No fim de semana, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, se recusou a comentar se a ação dos EUA contra a Venezuela pode ter violado o direito internacional, em diferentes entrevistas a veículos de imprensa estrangeiros.

A União Europeia pediu “calma e moderação de todos os atores envolvidos na crise na Venezuela, com o objetivo de evitar escalada de tensões e buscar uma solução pacífica” para a crise."

No discurso de abertura da reunião, a vice-secretária-geral da ONU, Rosemary DiCarlo, disse que a organização está “profundamente preocupada que as regras do direito internacional não tenham sido respeitadas em relação à ação militar de 3 de janeiro”.

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