Ricaços do Oriente Médio ganharam R$ 56 bilhões durante pandemia
Segundo dados da Oxfam, 21 bilionários enriqueceram enquanto milhões de pessoas podem ser empurrados para a pobreza e perder empregos
Internacional|Da EFE, com R7

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus aprofundou ainda mais o fosso entre ricos e pobres no Oriente Médio, onde bilionários aumentaram sua riqueza em 10 bilhões de dólares, cerca de R$ 56 bilhões, desde o início da pandemia, alertou a Oxfam Intermón nesta quinta-feira (27).
Esta soma equivale a "mais do que o dobro dos fundos de emergência regionais fornecidos pelo Fundo Monetário Internacional para responder à pandemia e quase cinco vezes o apelo humanitário das Nações Unidas para a covid-19 na região", disse a ONG de luta contra a pobreza.
A Oxfam advertiu ao apresentar o relatório "Por uma década de esperança, não de austeridade no Oriente Médio e Norte da África" que "o coronavírus aprofundou ainda mais a lacuna entre ricos e pobres" em uma região que, lembrou, já era uma das mais desiguais do mundo antes da pandemia.
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Esses 10 bilhões de dólares de lucros para os mais ricos da região, disse a organização, estão concentrados nos 21 bilionários da região, que, aliás, são todos homens.
No outro extremo da escala social, ele observou no relatório, "45 milhões de pessoas a mais poderiam ser empurradas para a pobreza como resultado da pandemia na região."
No Oriente Médio e no Norte da África, observou a Oxfam, "os 11% mais ricos da população respondem por 74% da renda da região".
O consultor de políticas da Oxfam na região, Nabil Abdo, criticou que "por muito tempo o lucro foi priorizado em detrimento do bem público e da segurança" na área.
“O resultado disso não poderia ser mais evidente após a explosão catastrófica em Beirute (em 4 de agosto), que expôs ainda mais a fragilidade da economia e só vai exacerbar as desigualdades existentes”, disse ele.
Oxfam Intermón alertou que devido à pandemia, o investimento estrangeiro deverá diminuir em 45%, 1,7 milhão de pessoas podem perder os empregos e 89% dos 16 milhões de trabalhadores informais da região serão seriamente afetados pelas medidas tomadas para o combater a doença.
A organização não governamental pediu aos governos da região que "aumentem a receita para proteger os mais vulneráveis".
Ele deu como exemplo que se o Líbano tivesse introduzido um imposto de riqueza solidário de apenas 5% no ano passado, uma receita de US $ 3,7 bilhões teria sido gerada para ajudar a reconstruir a infraestrutura de água e eletricidade e fornecer serviços para os afetados pela explosão.












