Internacional Rishi Sunak e Liz Truss vão se enfrentar para cargo de premiê no Reino Unido

Rishi Sunak e Liz Truss vão se enfrentar para cargo de premiê no Reino Unido

Candidatos foram escolhidos por parlamentares conservadores, e agora vão lutar pelos votos dos 200 mil membros do partido

AFP

Resumindo a Notícia

  • Rishi Sunak é o candidato favorito entre os parlamentares do Partido Conservador
  • Liz Truss, porém, pode levar a maior parte dos votos dos 200 mil membros do partido
  • Sunak é visto como traidor por ter dado início à série de renúncias que fizeram Johnson cair
  • Novo primeiro-ministro do Reino Unido deverá ser divulgado em 5 de setembro
Liz Truss e Rishi Sunak disputam o cargo de primeiro-ministro no Reino Unido

Liz Truss e Rishi Sunak disputam o cargo de primeiro-ministro no Reino Unido

Tolga Akmen, Daniel LEAL/AFP - 12.7.2022

O ex-ministro das Finanças Rishi Sunak e a ministra das Relações Exteriores Liz Truss se classificaram, nesta quarta-feira (20), para a fase final da corrida para suceder o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson.

Rishi Sunak obteve 137 votos dos parlamentares conservadores, à frente de Liz Truss (113 votos) e da secretária de Estado do Comércio Exterior, Penny Mordaunt, eliminada com 105 votos, segundo os resultados anunciados por Graham Brady, que organiza a eleição interna.

Os dois finalistas disputarão os votos por correspondência dos 200 mil membros do Partido Conservador. O nome do novo líder do partido, que se tornará primeiro-ministro, é esperado em 5 de setembro.

Apesar de não ter largado como favorito, Sunak, um britânico com avós indianos, consolidou rapidamente seu apoio, e sua passagem para a batalha final já estava praticamente garantida.

Após a dramática renúncia de Johnson em 7 de julho como líder do Partido Conservador, a longa corrida interna para substituí-lo começou na semana passada. Inicialmente, os 358 deputados conservadores votaram em sucessivas rodadas de eliminação.

Agora, os finalistas farão campanha entre os eleitores e, apesar de seu forte apoio entre os deputados, Sunak não tem certeza da vitória. De fato, as últimas pesquisas realizadas entre os membros do partido apontam que ele pode perder por uma ampla margem.

Nesta quarta, os deputados votaram depois que Johnson fez sua última aparição na Câmara dos Comuns para sua última sessão de perguntas como primeiro-ministro. Nela, defendeu sua carreira e lançou um "hasta la vista, baby!", entre os aplausos dos conservadores e as vaias da oposição.

"Missão amplamente cumprida", assegurou o primeiro-ministro, de 58 anos, fazendo um balanço dos seus três anos de mandato. Johnson afirmou que passará as próximas semanas "fazendo o que acredita que os cidadãos esperam que ele faça: avançar nas questões para as quais fomos eleitos em 2019".

"Estes últimos anos foram o maior privilégio da minha vida", acrescentou Johnson.

Concluiu dizendo: "Hasta la vista, baby!", em espanhol, sob os aplausos de sua bancada, repetindo a famosa frase pronunciada por Arnold Schwarzenegger no filme Exterminador do Futuro 2.

No último fim de semana, foram realizados dois debates televisivos entre os cinco candidatos restantes: Truss, como representante da ala mais direitista; e Sunak, defensor da ortodoxia orçamentária, após a pandemia, se atacarem com muita força.

A chanceler acusou o ex-ministro das Finanças de ter arrastado o país para uma "recessão", ao aumentar impostos e encargos sociais, em um contexto de inflação descontrolada, que em junho atingiu um recorde histórico de 9,4%.

Sunak censurou a ministra, entre outras coisas, por ter votado contra o Brexit. 

As eleições internas são comuns em uma formação política acostumada a se livrar de seus líderes quando eles não têm mais apelo eleitoral. Os dois candidatos vão se enfrentar em um debate organizado na segunda-feira (25) pela rede BBC.

O bilionário Sunak, o parlamentar mais rico do Reino Unido, é visto no círculo de Johnson como o homem que o traiu ao anunciar sua saída em 5 de julho, precipitando outras 60 renúncias do governo.

Isso acabou provocando a queda do líder conservador, abandonado por seu partido em um contexto de múltiplos escândalos que pesaram sobre sua popularidade.

Em sua última sessão no Parlamento, o líder dos separatistas escoceses, Ian Blackford, lembrou que uma comissão investiga se Johnson mentiu aos deputados sobre o "Partygate" — escândalo das festas organizadas em Downing Street durante os confinamentos de 2020 e 2021.

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