‘Canivete suíço militar’: robô humanoide pode ser o ‘soldado do futuro’ do Exército americano
Empresa aposta em máquina multifuncional capaz de atuar em missões arriscadas, ambientes extremos e tarefas industriais
Internacional|Do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Phantom MK1, robô humanoide desenvolvido pela startup Foundation, sediada em San Francisco, nos Estados Unidos surge como uma das apostas mais ambiciosas da indústria de tecnologia para uso militar e espacial.
Com 1,75 metro de altura, 80 quilos e capacidade de caminhar a quase 6 km/h, o modelo foi apresentado como um equipamento capaz de executar tarefas humanas em cenários de alto risco, seja em zonas de combate, na manutenção de infraestruturas ou até em futuras missões na Lua e em Marte.
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Segundo o CEO e cofundador da empresa, Sankaet Pathak, o objetivo é que o robô seja capaz de atuar em qualquer função que um humano desempenha. A visão de longo prazo inclui enviá-lo para fora do planeta para construir e defender estruturas em ambientes onde pessoas não conseguem sobreviver. Para Pathak, os treinamentos em aplicações militares, como reabastecer aeronaves, romper barreiras e operar em zonas hostis, servirão de base para missões mais complexas no espaço.
Soldado do futuro?
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos confirma estar analisando a adoção de sistemas autônomos para ampliar a capacidade operacional. A instituição avalia desde o envio de suprimentos médicos até atividades de patrulha, reforçando que tecnologias desse tipo representam o futuro do campo de batalha.
A Foundation, segundo seus executivos, já mantém conversas com Exército, Marinha, Força Aérea e Departamento de Segurança Interna para uso do Phantom em cenários diversos, inclusive vigilância de fronteiras.
A discussão sobre eventual armamento do robô divide opiniões dentro da própria empresa. Pathak afirma não prever que versões futuras carreguem armas integradas, mas admite que o Phantom deve ser capaz de manipular qualquer ferramenta manejada por humanos, o que inclui, potencialmente, armas de fogo.
O cofundador Mike LeBlanc, ex-fuzileiro naval, enxerga o projeto como um “canivete suíço” militar, apto a executar tarefas hoje atribuídas a soldados muito jovens em situações de extremo perigo.
Promissor, mas ainda limitado
Apesar das ambições elevadas, a demonstração recente do Phantom MK1 em Nova York expôs limitações tecnológicas. Transportado em uma estrutura semelhante a um caixão plástico desde a Califórnia, o robô precisou ser remontado por técnicos após sucessivas falhas e caiu durante uma apresentação.
A empresa atribuiu o incidente a uma placa de processamento instalada pouco antes da viagem, reforçando que a engenharia ainda enfrenta ajustes significativos.
Mesmo assim, a Foundation avança em contratos governamentais e já soma cerca de US$ 10 milhões, além de ter adquirido a Boardwalk Robotics para acelerar o desenvolvimento de novos modelos. Cerca de dez unidades do Phantom estão em uso experimental por montadoras e fabricantes de bens de consumo, enquanto a empresa planeja produzir até 10 mil unidades no próximo ano, dependendo da demanda e da ampliação de investimentos, estimados em mais de US$ 100 milhões.
O avanço rápido da robótica humanoide ocorre em paralelo à intensificação global na corrida por armamentos autônomos. China e Rússia já demonstraram cães-robôs equipados com armas e trabalham em plataformas militares de IA, cenário que pressiona os EUA a acelerar pesquisas. Para Pathak, tratar esse desenvolvimento como tabu significaria abrir vantagem para adversários.
Especialistas, no entanto, pedem cautela. Pesquisadores de Harvard e UC Berkeley afirmam que a inteligência dos robôs ainda está distante da fluidez dos sistemas de linguagem, e que limitações como autonomia de bateria, processamento físico e necessidade de treinamento extensivo tornam improvável uma revolução imediata.
Há também preocupações sobre a segurança cibernética, que poderia transformar máquinas como o Phantom em alvos fáceis para manipulação inimiga.
As implicações éticas e sociais também entram no debate. Representantes do Congresso americano defendem que a automação não pode aprofundar desigualdades nem substituir trabalhadores sem proteção adequada.
Analistas alertam que, embora não haja novos dilemas éticos específicos para o formato humanoide, a integração de robôs em forças terrestres exige protocolos rígidos contra invasões e uso indevido.
Apesar das dificuldades, a Foundation acredita que um futuro com milhares de máquinas como o Phantom realizando tarefas variadas é inevitável. O próprio Pathak estima que, em uma década, robôs serão comuns em indústrias, serviços e operações complexas.
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