Internacional Rússia: Alexei Navalny é condenado a 3 anos e meio de prisão

Rússia: Alexei Navalny é condenado a 3 anos e meio de prisão

Principal líder da oposição a Vladimir Putin, ele foi preso ao voltar à Rússia, acusado de violar os termos de sua prisão condicional

  • Internacional | Do R7

Navalny foi condenado a 3,5 anos de prisão nesta terça

Navalny foi condenado a 3,5 anos de prisão nesta terça

Press service of Moscow City Court/Handout via Reuters - 02.02.2021

O político russo Alexei Navalny, principal líder da oposição ao presidente Vladimir Putin foi condenado nesta terça-feira (2) a 3 anos e meio de prisão. Ele foi acusado de violar sua prisão condicional por demorar a voltar à Rússia depois de se internar na Alemanha por conta de um envenenamento no ano passado.

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A oposição, que vem protestando desde que ele voltou ao país e foi detido, convocou novas manifestações em Moscou.

Violação de condicional

A juíza do caso declarou que Navalny, que voltou à Rússia em janeiro, após se recuperar do envenenamento com o agente químico Novichok, violou a liberdade condicional ao não se apresentar a uma autoridade competente no ano passado.

A decisão atende ao pedido do Serviço Penitenciário Federal de ativar a pena suspensa ditada no caso de fraude e lavagem de dinheiro relacionado à empresa Yves Rocher Vostok.

Em 2014, Navalny e o irmão Oleg foram condenados em um caso de fraude e lavagem de dinheiro, acusados de roubar 26,7 milhões de rublos (cerca de R$ 2 milhões) da empresa de cosméticos Yves Rocher Vostok, entre outros crimes.

No caso de Alexei Navalny, a decisão judicial estabelecia uma pena de três anos e meio de prisão. Em 2017, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou a Rússia por sentenças "arbitrárias e pouco razoáveis" dos tribunais.

Na sentença divulgada nesta terça-feira, o tribunal ignorou os argumentos da defesa, que considera ilegal a decisão de prolongar em um ano a liberdade condicional até o final de 2020.

Navalny reclamou de não poder comparecer às autoridades penitenciárias porque estava na Alemanha, primeiro em coma e depois em tratamento de uma tentativa de assassinato.

Durante a audiência, o líder opositor encarou a juíza e o procurador, e disse que "ele (Putin) ficará na história precisamente como um envenenador".

"Todos entenderam que ele (Putin) é um simples funcionário público, que foi colocado em funções por acaso. Ele nunca participou de um debate. O seu único meio de luta é o assassinato", argumentou.

Os advogados do opositor já disseram que recorrerão da sentença, que levará em conta os meses que Navalny já passou sob prisão domiciliar, motivo pelo qual, em princípio, só terá de cumprir dois anos e oito meses de prisão.

O Kremlin rejeitou todas as críticas ocidentais à detenção de Navalni e ao uso desproporcional da força pela polícia contra os manifestantes nos protestos de 23 e 31 de janeiro em apoio ao líder da oposição, nos quais foram detidas quase 10 mil pessoas.

A polícia, que nesta terça-feira prendeu mais de 350 pessoas nas proximidades do tribunal, fechou as entradas da Praça Vermelha e reforçou a segurança em várias partes da cidade, em antecipação aos protestos.

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