Internacional Rússia amplia influência na Síria, mas volta a evitar atrito com Israel

Rússia amplia influência na Síria, mas volta a evitar atrito com Israel

O presidente russo, Vladimir Putin, incrementou o apoio do país à Síria e ao Irã, mas mantém ponte de diálogo entre Rússia e o governo de Israel

rússia, oriente médio

Vladimir Putin reforçou importância de laços com Israel

Vladimir Putin reforçou importância de laços com Israel

EFE/Alexey Nikolsky/Ria Novosti / Kremlin/20-11-13

A turbulência na relação entre judeus e a Rússia está presente desde o século 13, quando há os primeiros registros de moradores da comunidade judaica no território do que seria o Império Russo posteriormente.

Leia mais - Síria: escalada de violência em áreas rebeldes deixa mais de 100 mortos 

Foram séculos de perseguições, pogroms (destruições) e contradições. Já na União Soviética de Josef Stálin, houve apoio à criação do Estado de Israel, em iniciativa que buscava minar a influência do Reino Unido no Oriente Médio.

No atual momento, a atuação de Vladimir Putin, presidente russo, na região reflete esse histórico controverso.

Desde que passou a atuar diretamente no conflito sírio, em 2015, o governo da Rússia incrementou a presença do país na região.

A guerra local ainda não se encerrou, mas a Rússia amplia a influência sobre o país, passando inclusive a negociar com os Estados Unidos uma maneira de tirar a Síria do isolamento internacional, como se Putin fosse uma espécie de ministro do país.

A Rússia mantém na Síria as bases de Tartus e de Hmeimim e dá apoio não só ao polêmico presidente Bashar al-Assad como ao Irã, país que sofre sanções das potências ocidentais e está isolado.

Por outro lado, Putin mantém uma ponte de diálogo importante com o governo israelense, que considera a presença do Irã na Siria uma séria ameaça, indicando o quanto todo o histórico judaico na Rússia ainda está presente.

Mais de 1,5 milhão de cidadãos israelenses, afinal, são de origem russa. Isso sem contar com a grande maioria de líderes históricos, como Golda Meir e Menachem Begin.

Tal situação de diálogo é até certo ponto inédita para Israel. Há alguns meses, houve uma tensão entre os dois países, em função de suposto ataque israelense à base aérea T-4, em Homs, na Síria,em 8 de abril de 2018, matando pelo menos 14 pessoas.

Em outros tempos, porém, estas tensões poderiam sair do controle. E o fato de terem sido contornadas é um sinal de mudança. O canal de Israel era exclusivo com os Estados Unidos, inclusive pelo fato de a União Soviética ter rompido relações com o país, após a Guerra dos Seis Dias, em 1967, até 1991.

Em um encontro com o primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em 2016, em Moscou, Putin descreveu o novo cenário, que se intensificou nos anos seguintes.

"Abordamos as relações bilaterais e os problemas internacionais. Netanyahu está de visita aqui para assinalar os 25 anos desde e restabelecimento das relações diplomáticas entre a Rússia e Israel, e as nossas relações estão mais profundas. A União Soviética foi o primeiro país a reconhecer Israel como estado independente em 1948."

E mesmo considerando legítimas as aspirações do Hamas, grupo palestino visto como terrorista por Israel e potências ocidentais, o governo russo evita o confronto com Israel.

Diálogo futuro

Pode parecer contraditório, mas, na verdade, esta postura pode favorecer um diálogo futuro, que inclusive desmobilize ações terroristas do grupo palestino.

Artigo do The Jerusalem Report deu ênfase a esse novo contexto, afirmando que a reconstrução da Síria no pós-guerra começará assim que o governo local confirmar a vitória em regiões do oeste e será provavelmente controlada pela Rússia com a ajuda dos Estados Unidos e de outros aliados.

Um equilíbrio de forças entre Rússia e Estados Unidos (sempre com forte influência na região), neste momento, já está ocorrendo na Síria.

Os Estados Unidos também possuem bases locais, tendo estabelecido nova base na área da povoação de Bagoz da província de Deir ez-Zor, na fronteira entre Síria e Iraque.

Mas já se convenceram de que a presença russa será permanente no país. E a presença russa em Israel, por meio de cidadãos nascidos na Rússia, também é outra realidade.

Tal equilíbrio, em vez de dificultar, tende a repercutir em outras questões interligadas e facilitar um acordo entre israelenses, palestinos e outros países, como o Irã, que consideram o governo russo um interlocutor legítimo. Isso, logicamente, se houver aprovação dos envolvidos.

A outra opção para Putin seria uma guerra regional. E, neste cenário, o confronto entre seus aliados e Israel é o que menos interessa à Rússia. Se ele ocorresse, o país, na prática, estaria guerreando com ele mesmo.

Putin cumprimenta calorosamente polêmico príncipe saudita