Rússia diz que manterá limites de armas nucleares enquanto EUA fizerem o mesmo
Ministro das Relações Exteriores russo afirmou que país irá monitorar a política militar americana
Internacional|Do Estadão Conteúdo
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O governo da Rússia respeitará os limites do último pacto nuclear com os Estados Unidos, o Novo START, que expirou na semana passada, desde que Washington faça o mesmo, afirmou o Ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, nesta quarta-feira (11).
O tratado expirou em 5 de fevereiro, deixando sem restrições os dois maiores arsenais atômicos do mundo pela primeira vez em mais de meio século e alimentando temores de uma corrida armamentista nuclear sem limites.
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou em 2025 que estava disposto a manter os limites do tratado por mais um ano se Washington fizesse o mesmo, mas o presidente dos EUA, Donald Trump, argumentou que quer que a China faça parte de um novo pacto — algo que Pequim rejeitou.
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Em discurso na Câmara dos Deputados na quarta-feira, Lavrov disse que, embora os EUA não tenham respondido à oferta de Putin, a Rússia respeitará os limites do Novo START enquanto perceber que os EUA também os respeitam.
A moratória declarada pelo presidente permanecerá enquanto os EUA não excederem esses limites", disse Lavrov aos legisladores.
“Agiremos de forma responsável e equilibrada com base na análise das políticas militares dos EUA.”
Ele acrescentou que “temos motivos para acreditar que os Estados Unidos não têm pressa em abandonar esses limites e que eles serão respeitados no futuro próximo”.
“Vamos acompanhar de perto como as coisas estão realmente se desenrolando”, disse Lavrov. “Se a intenção de nossos colegas americanos de manter algum tipo de cooperação sobre isso for confirmada, trabalharemos ativamente em um novo acordo e consideraremos as questões que permaneceram fora dos acordos de estabilidade estratégica”.
A declaração de Lavrov veio após uma reportagem do Axios alegando que negociadores russos e americanos discutiram um possível acordo informal em Abu Dhabi.
Questionado sobre a reportagem, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse na última sexta-feira (6) que qualquer prorrogação desse tipo só poderia ser formal, acrescentando que “é difícil imaginar qualquer prorrogação informal nessa esfera”.
Ao mesmo tempo, Peskov confirmou que os negociadores russos e americanos discutiram o futuro controle de armas nucleares em Abu Dhabi, onde delegações de Moscou, Kiev e Washington mantiveram dois dias de negociações sobre um acordo de paz na Ucrânia.
“Há um entendimento, e eles conversaram sobre isso em Abu Dhabi, de que ambas as partes assumirão posições responsáveis e ambas as partes percebem a necessidade de iniciar negociações sobre a questão o mais rápido possível”, disse Peskov.
O Novo START, assinado em 2010 pelo então presidente Barack Obama e seu homólogo russo, Dmitry Medvedev, foi o último de uma longa série de acordos para limitar arsenais nucleares, começando com o Salt I em 1972.
O Novo START restringiu cada lado a não possuir mais do que 1.550 ogivas nucleares, e não ter mais do que 700 mísseis e bombardeiros prontos para uso.
Ele estava originalmente previsto para expirar em 2021, mas foi prorrogado por cinco anos.
O pacto previa inspeções abrangentes para verificar o cumprimento, embora elas tenham sido interrompidas em 2020 devido à pandemia da Covid-19 e nunca tenham sido retomadas.
Em fevereiro de 2023, Putin suspendeu a participação de Moscou, dizendo que a Rússia não poderia permitir inspeções dos EUA em suas instalações nucleares em um momento em que Washington e seus aliados da Otan declaravam abertamente que queriam a derrota de Moscou na Ucrânia.
Mas o Kremlin também enfatizou que não estava se retirando totalmente do pacto, comprometendo-se a respeitar seus limites para armas nucleares.
Em setembro, Putin se ofereceu para manter os limites do Novo START por mais um ano para ganhar tempo para que ambos os lados negociassem um acordo sucessor.
Mesmo com o término do Novo START, os EUA e a Rússia concordaram em 5 de fevereiro em restabelecer o diálogo de alto nível entre as forças armadas, após uma reunião entre altos funcionários de ambos os lados em Abu Dhabi, informou o comando militar dos EUA na Europa.
O diálogo havia sido suspenso em 2021 à medida que as relações se tornavam cada vez mais tensas, antes de a Rússia enviar tropas para a Ucrânia em fevereiro de 2022.
Lavrov descreveu as relações pessoais entre Putin e Trump como “excelentes”, dizendo que sua “simpatia e respeito mútuos ajudaram a criar uma atmosfera que lhes permitiu chegar a um entendimento” sobre questões específicas durante a cúpula de agosto em Anchorage, no Alasca.
Questionado por legisladores sobre a tentativa dos EUA de assumir o controle da Groenlândia, Lavrov disse que isso não diz respeito à Rússia, mas observou que “em caso de militarização da Groenlândia e criação de capacidades militares lá voltadas contra a Rússia, tomaremos as contramedidas relevantes, incluindo aquelas de caráter técnico-militar”.
Ele descreveu a proibição dos EUA para que a Rússia, a China e o Irã realizem quaisquer transações com petróleo venezuelano como “discriminatória”, observando que Moscou espera que Washington desenvolva relações com base no “respeito mútuo”.
Lavrov enfatizou que, embora o Kremlin ainda não tenha iniciado um “diálogo estratégico” com o governo Trump, “estamos sempre abertos a tal diálogo”.
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