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Russos disfarçaram arma química como perfume para atacar ex-espião

Suspeitos do atentado contra Sergei Skripal foram identificados hoje. Primeira-ministra diz que operação passou por alto escalão na Rússia

Internacional|Cristina Charão, do R7

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Vidro foi modificado para conter o novichok
Vidro foi modificado para conter o novichok

O que é considerado como o primeiro ataque com armas químicas em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial começou com um vidro de perfume. Foi assim que dois russos apontados como suspeitos do ataque contra o ex-espião Sergei Skripal e sua filha, Yulia, teriam entrado no Reino Unido carregando o agente nervoso conhecido como novichok.

Skripal e Yulia foram encontrados inconscientes em um banco num centro comercial de Salisbury no dia 4 de março. Hospitalizados, ficaram inconscientes por várias semanas. Mais tarde, a polícia descobriu que os dois tinham sido envenenados com uma substância neurotóxica desenvolvida por cientistas russos, o novichok.

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O Reino Unido responsabilizou o governo russo pelo ataque, iniciando uma das piores crises diplomáticas recentes na Europa. 

Hoje, a Scotland Yard, a polícia britânica, identificou os dois suspeitos como sendo Alexander Petrov e Ruslan Boshirov, que devem ter por volta de 40 anos. Os dois estão foragidos e suspeita-se que estejam usando identidades falsas.

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A primeira-ministra, Theresa May, disse no Parlamento que a operação não foi amadora e que é "praticamente certo" que tenha sido aprovada pelo alto escalão russo.

Vidro de perfume encontrado em caixa de doação

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Além dos Skripal, um policial que prestou os primeiros socorros também foi contaminado. Meses mais tarde, no final de junho, duas outras pessoas foram contaminadas por Novichok, numa cidade vizinha a Salisbury.

Charlie Rowley sobreviveu, após dias no hospital, mas sua namorada, Dana Sturgess morreu em 8 de julho.

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As investigações apontaram que nenhum dos dois era um alvo de atentado, mas um acidente. Que acabou ajudando a desvendar como o ataque a Skripal e Yulia aconteceu.

A fonte da contaminação do casal foi descoberta nas investigações: um vidro de perfume, que foi achado por Rowley em uma caixa de doações e dado como presente para Dana.

Segundo a polícia britânica, este vidro de perfume foi modificado para conter o novichok sem representar riscos a quem o carregasse. Ele teria sido embalado em uma caixa rosa imitando a embalagem do perfume Nina Ricci Premier Jour, que foi encontrada em uma lata de lixo 

Além do vidro, dentro da caixa havia também um tipo de borrifador.

As investigações levam a crer que os dois suspeitos identificados hoje borrifaram o novichok na porta da casa de Skripal. Ao sair para ir ao centro comercial, ele e Yulia teriam se contaminado.

Pelo aeroporto

Os dois suspeitos identificados hoje teriam entrado no Reino Unido com o "perfume" na mala.

Alexander Petrov e Ruslan Boshirov estão foragidos
Alexander Petrov e Ruslan Boshirov estão foragidos

Eles chegaram a Londres em 2 de março, em um voo vindo de Moscou que aterrissou no aeroporto de Gatwick. De lá, viajaram de trem para o centro de Londres e se hospedaram em um hotel.

Nos dois dias seguintes, foram de metrô e trem para Salisbury, onde realizaram o ataque. As câmeras de segurança capturaram imagens dos dois nas imediações da casa dos Skripal.

No mesmo dia 4 de março, eles pegaram um voo para Moscou, saindo do aeroporto de Heathrow.

A polícia diz que não há notícias de que algum deles tenha retornado à Inglaterra depois disso, mas pede que qualquer pessoa que os tenha visto à época do ataque, façam contato com os investigadores.

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