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Secretário dos EUA apela a curdos para salvar Iraque do colapso

Internacional|Do R7

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Por Lesley Wroughton

ARBIL Iraque (Reuters) - O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, participou de negociações com líderes da região autônoma curda do Iraque nesta terça-feira e lhes pediu que fiquem ao lado de Bagdá num momento em que o avanço dos insurgentes sunitas ameaça desmembrar o país.

As forças de segurança entraram em conflito com facções armadas sunitas pelo controle da maior refinaria de petróleo do país nesta terça e os militantes lançaram um ataque contra uma das maiores bases aéreas do país, a menos de 100 quilômetros da capital.

Mais de 1.000 pessoas, na maioria civis, foram mortas em menos de três semanas, disse a ONU nesta terça-feira.

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As vítimas incluem soldados do governo desarmados, que foram metralhados por insurgentes e jogados em valas comuns, bem como vários relatos sobre presos mortos em suas celas por forças do governo em fuga.

Kerry voou para a região curda após passar um dia em Bagdá, em uma viagem de emergência pelo Oriente Médio para tentar salvar a unidade do Iraque depois de um avanço-relâmpago dos combatentes sunitas liderados por um ramo da Al-Qaeda, o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).

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Autoridades norte-americanas acreditam que convencer os curdos de ficar ao lado do processo político em Bagdá é vital para evitar a divisão do Iraque.

"Se eles decidirem retirar-se do processo político de Bagdá, as tendências negativas vão ser muito aceleradas", disse uma autoridade do Departamento de Estado, que falou com jornalistas sob condição de anonimato.

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Líderes curdos deixaram claro que um acordo para manter o Iraque unido está em perigo.

"Estamos diante de uma nova realidade e de um novo Iraque", disse o presidente curdo, Massoud Barzani, no início de sua reunião com Kerry. Mais cedo, ele culpou as "políticas erradas" do primeiro-ministro Nuri al-Maliki pela violência e pediu que ele deixasse o governo, dizendo ser "muito difícil" imaginar o Iraque unido.

Os cinco milhões de curdos, que se autogovernavam no Iraque em relativa paz desde a invasão dos Estados Unidos que derrubou Saddam Hussein, em 2003, aproveitaram o caos deste mês para expandir seu próprio território, assumindo o controle de ricos campos de petróleo.

Dois dias depois de os combatentes sunitas iniciarem a sua revolta, controlando a maior cidade do norte, Mosul, as tropas curdas assumiram o controle total de Kirkuk, uma cidade que consideram sua capital histórica e que foi abandonada pelo Exército iraquiano em fuga.

A dominação de Kirkuk, que fica fora da zona autônoma curda, elimina o principal incentivo para que eles continuem a fazer parte do Iraque: os depósitos de petróleo de Kirkuk podem gerar mais receita do que os curdos agora recebem de Bagdá, como parte do acordo feito para que não declarem a independência.

Algumas autoridades curdas sugerem em conversas privadas que já não estão comprometidas com o Iraque e estão ganhando tempo para uma oportunidade de buscar a independência. Em entrevista à CNN, Barzani repetiu uma ameaça de realizar um referendo sobre a independência, dizendo que é hora de os curdos decidirem seu próprio destino.

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NOVO GOVERNO

O governo norte-americano colocou suas esperanças na formação de um novo governo, mais inclusivo, em Bagdá, que prejudicaria a insurgência. Kerry tem como objetivo convencer os líderes curdos a participarem do processo.

Em Bagdá, Kerry disse na segunda-feira que Maliki lhe assegurou que o novo Parlamento, eleito há dois meses, iria começar a formar um novo governo antes de 1 de julho. Maliki está lutando para permanecer no poder, sob críticas devido ao avanço do EIIL.

O governo iraquiano está correndo contra o tempo enquanto os insurgentes consolidam seu controle sobre as províncias de maioria sunita.

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