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Silêncio israelense sobre a Síria é estratégico

Internacional|Do R7

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Por Dan Williams

JERUSALÉM, 1 Fev (Reuters) - Em lugar nenhum os segredos militares são divulgados imediatamente. Mas em Israel o silêncio que recobre fatos como o misterioso bombardeio aéreo de quarta-feira contra a Síria reflete uma estratégia mais profunda, relacionada à dissuasão e a uma concessão.

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Além da costumeira preocupação em preservar espiões e táticas para um governo atualmente envolvido em um confronto mais grave com o Irã, os israelenses veem essa reticência como uma forma de permitir que os inimigos salvem sua honra, reduzindo assim o risco de represálias e escaladas.

Manter-se em silêncio, evitando assim as acusações de que o país se gaba provocativamente das suas investidas, também facilita a discreta cooperação de Israel com alguns vizinhos muçulmanos -como Turquia e Jordânia-, que do contrário se sentiriam na obrigação de se distanciarem do Estado judeu.

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Os líderes israelenses veem ainda um benefício doméstico por não alardear seus sucessos, já que isso poderia dar ao público interno -e aos aliados ocidentais- uma fé exagerada na sua capacidade militar.

E, diante das queixas mundiais de que um ataque não-provocado contra uma potência soberana viola o direito internacional, admitir o fato poderia servir só para gerar complicações diplomáticas.

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Foi assim em 2007, quando o então primeiro-ministro Ehud Omert impôs o silêncio a sua equipe após um bombardeio a um suposto reator nuclear sírio -uma política de "sem comentários" que continua em vigor, embora até os EUA tenham discutido aquela ação militar israelense e o seu alvo.

Olmert "quis evitar qualquer coisa que pudesse encurralar a Síria e forçar Assad a retaliar", disse em sua autobiografia o então presidente norte-americano, George W. Bush.

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Um ex-assessor de Olmert confirmou esse relato, dizendo à Reuters que o premiê também temia pelas estreitas relações militares do seu país com a Turquia, país que teve seu espaço aéreo atravessado por aviões israelenses a caminho da Síria.

Israel estava então, como agora, diante da ameaça de uma guerra contra o arqui-inimigo Irã. Ollmert, cético quanto à possibilidade de enfrentar um adversário mais distante e muito maior, não quis causar falsas impressões na opinião pública a partir de uma investida muito mais limitada, contra um vizinho imediato.

"Sabíamos que a mensagem do que havia ocorrido seria recebida pelas lideranças síria e iraniana, e isso era suficiente para nós", disse um ex-assessor, sob anonimato.

Então, se no final da madrugada de quarta-feira Israel atacou um comboio sírio que levava armas para a guerrilha libanesa Hezbollah, como dizem fontes diplomáticas, ou um centro de pesquisas militares próximo a Damasco, como afirmou o governo sírio, uma lógica semelhante pode levar o governo do premiê Benjamin Netanyahu a se manter em silêncio.

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