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Síria protege vala comum usada para ocultar atrocidades cometidas durante era Assad

Local foi usado como depósito de armas militares; governo abriu investigação criminal

Internacional|Da Reuters

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Governo sírio ordena vigilância em vala comum após reportagem.
  • Investigação criminal foi aberta após descobertas sobre ocultação de corpos de vítimas.
  • Base militar de Dhumair foi reativada para garantir controle no local estratégico.
  • Polícia realiza interrogatórios e coleta evidências sobre a operação da ditadura.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Vala incompleta cavada para receber corpos no deserto perto da cidade de Dhumair Khalil Ashawi/Reuters – 27.2.2025

O governo da Síria ordenou que soldados vigiem uma vala comum criada para ocultar atrocidades cometidas durante o governo de Bashar al-Assad e abriu uma investigação criminal, após uma reportagem da Reuters que revelou uma conspiração de anos da ditadura deposta para ocultar milhares de corpos em um local remoto no deserto.

O local, no deserto de Dhumair, a leste de Damasco, foi usado durante o governo de Assad como depósito de armas militares, de acordo com um ex-oficial do Exército sírio com conhecimento da operação. Posteriormente, foi esvaziado de pessoal em 2018 para garantir o sigilo de um plano que envolvia desenterrar os corpos de milhares de vítimas da ditadura enterrados em uma vala comum nos arredores de Damasco e transportá-los por caminhão a uma hora de distância de carro para Dhumair.


A trama, orquestrada pelo círculo íntimo do ditador, foi chamada de “Operação Move Earth”. Os soldados estão novamente a postos no local de Dhumair, desta vez pelo governo que derrubou Assad.

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A instalação militar de Dhumair também foi reativada como quartel e depósito de armas em novembro, após sete anos de desuso, de acordo com um oficial do Exército destacado no local no início de dezembro, uma autoridade militar e o xeque Abu Omar Tawwaq, que é o chefe de segurança de Dhumair.


O local de Dhumair ficou completamente desprotegido durante o verão do hemisfério norte, quando os jornalistas da Reuters fizeram várias visitas após descobrirem a existência de uma vala comum no local.

Poucas semanas depois da reportagem, em outubro, o novo governo criou um posto de controle na entrada da instalação militar onde fica o local, de acordo com um soldado que estava lá e falou com a reportagem em meados de dezembro. Os visitantes agora precisam de autorizações de acesso do Ministério da Defesa.


Imagens de satélite analisadas pela Reuters desde o final de novembro mostram novas atividades de veículos ao redor da área da base principal.

O oficial militar, que falou sob condição de anonimato, disse que a reativação da base faz parte dos esforços para “garantir o controle sobre o país e impedir que partes hostis explorem essa área estratégica aberta”. A estrada que atravessa o deserto conecta um dos redutos sírios remanescentes do Estado Islâmico a Damasco.


Investigação policial

Em novembro, a polícia abriu uma investigação sobre a vala comum, fotografando-a, realizando levantamentos do terreno e entrevistando testemunhas, de acordo com Jalal Tabash, chefe da delegacia de polícia de al-Dhumair. Entre os entrevistados pela polícia estava Ahmed Ghazal, uma fonte importante para a investigação da Reuters que expôs a vala comum.

“Contei a eles todos os detalhes que lhe contei sobre a operação e o que testemunhei durante aqueles anos”, disse Ghazal, um mecânico que consertava caminhões que transportavam corpos que quebravam no local da vala comum de Dhumair. Ghazal confirmou que, durante o período da “Operação Move Earth”, a instalação militar parecia vazia, exceto pelos soldados envolvidos no acompanhamento dos comboios.

O Ministério da Informação da Síria não respondeu aos pedidos de comentários sobre a reativação da base ou sobre a investigação da vala comum.

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