Teoria do Elo: o que conceito utilizado pelo FBI diz sobre quem pratica maus-tratos a animais
Morte dos cães Orelha e Abacate despertou o interesse pelo conceito, que é aplicado nos EUA para investigar perfis de criminosos
Internacional|Do R7
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Utilizada pelo FBI (Federal Bureau Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, desde a década de 1970 como um apoio nas investigações, a Teoria do Elo, também conhecida como Teoria do Link, voltou a repercutir a partir de casos como os dos cães Orelha e Abacate, que morreram vítimas de maus-tratos.
A teoria sustenta que há uma relação direta entre a violência cometida contra animais e aquela direcionada a seres humanos.
Na prática, casos de maus-tratos são considerados pelas autoridades policiais como indícios de periculosidade, pois tendem a revelar a reprodução de comportamentos violentos vivenciados pelo agressor, seja como vítima ou testemunha.
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Nesse sentido, a Teoria do Elo aponta que episódios de violência contra animais não devem ser encarados como fatos isolados, mas como possíveis sinais de condutas violentas mais amplas, capazes de evoluir para crimes de maior gravidade.
O interesse do FBI pela Teoria do Elo surgiu a partir da análise de perfis criminais, quando investigadores constataram que muitos assassinos em série (os serial killers) e outros criminosos violentos apresentavam histórico de agressões contra animais durante a infância ou a adolescência.
Essas informações passaram a integrar estratégias de investigação e prevenção da agência, reforçando a importância da identificação precoce desses comportamentos.
Desenvolvimento da teoria
A Teoria do Elo foi sistematizada pelos psiquiatras Phil Arkow e Frank Ascione nos anos 1980.
Juntos, eles concluíram que, em residências onde ocorre abuso grave contra animais, há maior probabilidade de que outros tipos de violência familiar também estejam presentes.
Os pesquisadores observaram ainda que ameaças ou práticas de maus-tratos contra animais de estimação podem ser utilizadas como forma de intimidação, coerção ou controle sobre mulheres e menores, que, temendo pela segurança do animal, acabam permanecendo em ambientes abusivos ou optando pelo silêncio.
Além disso, a crueldade contra animais praticada por crianças pode indicar situações de abuso ou negligência severa, tanto sofridas diretamente quanto testemunhadas, aumentando o risco de que essas crianças reproduzam comportamentos abusivos no futuro. Ascione e Arkow também identificaram que comportamentos agressivos ou sexualizados de crianças direcionados a animais podem estar associados a experiências prévias de abuso cometido por seres humanos.
Por fim, os estudiosos afirmam que criminosos violentos condenados e encarcerados em presídios de segurança máxima apresentam probabilidade significativamente maior de envolvimento com violência quando possuem histórico de crueldade contra animais na infância, em comparação com infratores não violentos.
Processos envolvendo maus-tratos no Brasil
O número de processos envolvendo maus-tratos a animais no Brasil saltou de 328 em 2021 para 4.919 em 2025, uma média de 13 novos processos por dia, apontam dados do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A variação representa uma alta de cerca de 1.400% em quatro anos.
Apenas no estado de São Paulo, as denúncias aumentaram 42% no ano passado. Segundo a Secretaria Estadual de Segurança Pública, foram registrados 20.916 casos relacionados a crimes contra animais em 2025. O número equivale a 57 casos por dia.
Os crimes mais frequentes são cometidos contra cães e gatos, por negligência ou abandono.
Em todo o estado, as denúncias podem ser feitas de forma online, pelo site da DEPA (Delegacia Eletrônica de Proteção Animal). Os casos são relatados de forma anônima.
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