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Trump avalia novo ataque ao Irã enquanto negociações nucleares não avançam

Presidente americano alertou que a próxima ofensiva ao país ‘será muito pior’

Internacional|Natasha Bertrand, Kylie Atwood, Zachary Cohen, Jennifer Hansler, Oren Liebermann, Kevin Liptak e Kristen Holmes, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Donald Trump considera um novo ataque ao Irã devido à falta de avanço nas negociações nucleares.
  • Teerã responde com ameaças, prometendo retaliar caso os EUA realizem ações militares.
  • O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln se aproxima do Irã, aumentando a tensão na região.
  • Os EUA estabelecem condições para negociar com o Irã, enquanto preparam medidas de defesa na área.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Donald Trmp pressiona para que o Irã volte à mesa de negociações Tom Brenner/Getty Images via CNN Internacional - 16.01.2026

O presidente Donald Trump está avaliando um novo grande ataque contra o Irã depois que discussões preliminares entre Washington e Teerã sobre a limitação do programa nuclear e da produção de mísseis balísticos do país não avançaram, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

As mais recentes ameaças de Trump foram recebidas com indignação por Teerã, que prometeu uma resposta imediata a qualquer ação militar dos Estados Unidos.


Um dos principais assessores do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, chegou a ameaçar atacar Israel caso um ataque seja levado adiante.

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Trata-se de uma rápida reorientação dos objetivos que o governo americano vinha apresentando publicamente em relação ao Irã e ocorre poucas semanas depois de Trump ter considerado seriamente uma ação militar que ele descreveu como uma possível ajuda aos protestos nacionais no país.


Esses protestos enfrentaram repressões violentas das forças de segurança, resultando em centenas de mortes.

Nesta quarta-feira (28), Trump publicou na rede Truth Social uma mensagem exigindo que o Irã volte à mesa de negociações para fechar “um acordo justo e equilibrado – SEM ARMAS NUCLEARES”.


Ele alertou que o próximo ataque dos EUA ao país “será muito pior” do que o realizado no verão passado, quando os militares americanos atacaram três instalações nucleares iranianas.

Opções dos EUA

Entre as opções agora em análise estão ataques aéreos militares dos EUA contra líderes iranianos e autoridades de segurança consideradas responsáveis pelas mortes, além de ataques a instalações nucleares e instituições governamentais do Irã, disseram as fontes.


Trump ainda não tomou uma decisão final sobre como proceder, mas acredita que suas opções militares se ampliaram desde o início do mês, agora que um grupo de ataque de porta-aviões dos EUA está na região.

O grupo de ataque do porta-aviões USS Abraham Lincoln entrou no Oceano Índico na segunda-feira e continua se deslocando para mais perto do Irã, de onde poderia apoiar eventuais operações contra o país, tanto em ataques quanto na proteção de aliados regionais contra possíveis retaliações iranianas.

Segundo as fontes, no início deste mês EUA e Irã trocaram mensagens — inclusive por meio de diplomatas de Omã e entre o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, e o chanceler iraniano Abbas Araghchi — sobre um possível encontro para evitar um ataque americano, que Trump vinha ameaçando em resposta às mortes de manifestantes.

Houve uma breve discussão sobre uma reunião presencial, mas ela nunca se concretizou, disse uma das fontes. De acordo com outra pessoa familiarizada com o tema, não houve negociações diretas sérias entre EUA e Irã à medida que Trump intensificou suas ameaças de ação militar nos últimos dias.

Não está claro por que Trump voltou a concentrar sua atenção no programa nuclear iraniano, que ele afirmou no verão passado ter sido “obliterado” por ataques dos EUA.

No entanto, segundo informações recentes de inteligência americana, o Irã vem tentando reconstruir suas instalações nucleares ainda mais profundamente no subsolo e há muito tempo resiste à pressão dos EUA para interromper o enriquecimento de urânio. O regime também proibiu a agência nuclear da ONU de inspecionar seus locais nucleares.

Em meio às ameaças de ação militar, os EUA também estabeleceram pré-condições para uma reunião com autoridades iranianas, segundo as fontes, incluindo o fim permanente do enriquecimento de urânio, novas restrições ao programa de mísseis balísticos do Irã e o encerramento de todo apoio a grupos aliados iranianos na região.

O principal impasse, disseram as fontes, é a exigência americana de que o Irã aceite limitar o alcance de seus mísseis balísticos — uma grande preocupação para Israel, que gastou grande parte de seu estoque de interceptadores ao derrubar mísseis iranianos durante a guerra de 12 dias em junho passado.

O Irã rejeitou essa exigência e informou aos EUA que só discutiria seu programa nuclear. Os EUA não responderam, deixando as duas partes em um beco sem saída.

Um funcionário americano afirmou na segunda-feira que o governo ainda está disposto a dialogar com o Irã, desde que “eles saibam quais são os termos”.

“Estamos abertos a conversar… Como se diz, estamos abertos a negócios. Se eles quiserem nos contatar e souberem quais são os termos, então teremos a conversa”, disse o funcionário a repórteres.

Ele não detalhou quais seriam esses termos, mas afirmou que “eles vêm sendo divulgados desde o início do governo Trump, então eles estão cientes”.

Ainda assim, os EUA se preparam para uma possível ação. Os militares americanos estão deslocando sistemas de defesa aérea para a região, incluindo baterias adicionais de mísseis Patriot, para ajudar a proteger as forças dos EUA contra uma eventual retaliação iraniana, disse um funcionário. Também há planos para enviar um ou mais sistemas de defesa antimísseis THAAD para a região.

Enquanto isso, a Força Aérea dos EUA deve realizar um exercício aéreo de vários dias no Oriente Médio, permitindo que aviadores demonstrem que “podem se dispersar, operar e gerar missões de combate sob condições exigentes — com segurança, precisão e ao lado de nossos parceiros”, segundo comunicado do tenente-general Derek France, comandante da AFCENT do Comando Central dos EUA.

Irã se diz preparado

O chanceler iraniano Araghchi alertou na quarta-feira que as forças armadas do país estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas do Irã.

“Nossas corajosas Forças Armadas estão prontas — com o dedo no gatilho — para responder de forma imediata e poderosa a QUALQUER agressão contra nossa terra, ar e mar”, escreveu Araghchi em inglês na rede X. O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a declaração foi uma resposta às ameaças de Trump.

Ali Shamkhani, importante assessor do líder supremo Khamenei, alertou no X que qualquer ação militar seria considerada o início de uma guerra e prometeu uma resposta “sem precedentes”, citando especificamente Tel Aviv como alvo.

Os preços do petróleo subiram na quarta-feira (28) e continuaram avançando nesta quinta-feira, diante do temor dos investidores de que o fornecimento global pudesse ser interrompido caso os EUA atacassem o Irã. O Brent, referência internacional do petróleo, ultrapassou US$ 70 o barril mais cedo na quinta-feira.

Regime está historicamente fraco, mas golpe decisivo é improvável

Relatórios recentes de inteligência dos EUA, aos quais Trump teve acesso, indicam que o regime iraniano está em uma posição historicamente fraca após ataques americanos e israelenses a instalações nucleares e forças aliadas do Irã no ano passado, além dos protestos em massa ocorridos neste mês. Trump chegou a sugerir no fim de semana que gostaria de ver Khamenei fora do poder.

“É hora de procurar uma nova liderança no Irã”, disse Trump à revista Politico no sábado, reforçando comentários anteriores em apoio a uma mudança de regime.

O secretário de Estado, Marco Rubio, também afirmou ao Congresso na quarta-feira que o regime iraniano “provavelmente está mais fraco do que nunca”.

No entanto, segundo uma das fontes, o governo iraniano já esteve enfraquecido antes, e não há garantia de que a remoção de Khamenei levaria ao colapso do regime.

“Mesmo que você retire o aiatolá, os sucessores também são linha-dura”, disse essa pessoa. Além disso, não há indícios de que os serviços de segurança do Irã estejam se preparando para se voltar contra o governo.

Rubio ecoou essa avaliação, afirmando que “ninguém sabe” quem assumiria o poder caso o líder supremo fosse removido.

Ainda assim, todas as opções permanecem sobre a mesa para o presidente, disse uma fonte à CNN.

Idealmente, Trump quer realizar um ataque poderoso e conclusivo que force Teerã a aceitar os termos americanos para um cessar-fogo. Caso um ataque seja ordenado, Trump pretende declarar vitória rapidamente.

Na Truth Social, Trump pareceu comparar uma possível operação militar contra o Irã àquela que ordenou na Venezuela em dezembro para remover o então presidente Nicolás Maduro.

No entanto, dois funcionários americanos afirmaram que Trump sabe que um ataque ao Irã seria muito mais difícil do que uma operação secreta precisa em território venezuelano.

O Irã possui uma ampla gama de sistemas de defesa aérea, mísseis balísticos e drones de ataque, além de caças americanos e russos antigos, porém testados em combate.

Essas capacidades tornam um ataque decisivo muito mais complexo. Além disso, ao contrário de Caracas, Teerã fica a horas da costa, o que impõe desafios adicionais a uma operação militar.

O governo Trump também manteve conversas prévias com o atual governo interino da Venezuela antes de deter Maduro, preparando o terreno para um regime de transição. Isso não ocorreu no caso do Irã, segundo as fontes.

Rubio reconheceu que a situação iraniana é “mais complexa”.

“Estamos falando de um regime que está no poder há muito tempo, então isso exigiria muito cuidado se essa possibilidade algum dia se concretizar”, afirmou, referindo-se à hipótese de mudança de regime.

Em uma repreensão a uma possível ação militar americana, aliados-chave dos EUA, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, descartaram o uso de seu espaço aéreo e território para uma operação contra o Irã.

Essas declarações refletem fortes preocupações de aliados do Golfo e da Turquia, que foram comunicadas tanto a Teerã quanto a Washington.

Trita Parsi, do Quincy Institute, observou que a mensagem iraniana provavelmente foi a de que “qualquer país que permita o uso de seu espaço aéreo também será visto como um alvo legítimo pelo Irã”.

Alvejar o líder supremo do Irã apresenta desafios próprios. Após o conflito de junho entre Israel e Irã, o ministro da Defesa israelense reconheceu que o país não teve oportunidade de atacar o aiatolá.

“Ele era um alvo legítimo para eliminação, mas não foi possível desta vez”, disse Israel Katz após o fim do conflito.

Nos primeiros ataques de junho, Israel eliminou o mais alto oficial militar iraniano e o chefe da Guarda Revolucionária, demonstrando a precisão de sua inteligência. No entanto, nunca conseguiu localizar Khamenei.

Katz admitiu que, após se esconder, o líder iraniano se tornou inalcançável.

“Khamenei entendeu isso. Ele foi para o subsolo, a grandes profundidades, e até cortou contato com seus comandantes”, disse Katz à Kan News. “No fim das contas, não era realista.”

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