Trump demite Katie Zacharia do cargo de secretária de imprensa da Casa Branca após cinco dias, dizem assessores
Dúvidas sobre sua trajetória profissional provocaram suspeitas, inclusive entre integrantes do próprio círculo de Trump
Internacional|Kristen Holmes, Alayna Treene e Kevin Liptak, da CNN Internacional
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O presidente Donald Trump demitiu Katie Zacharia do cargo de secretária de imprensa da Casa Branca, segundo assessores presidenciais, encerrando uma passagem turbulenta de apenas uma semana como principal porta-voz do governo dos EUA.
Mais cedo, Trump havia dito a jornalistas que pediu a Zacharia que reconsiderasse sua função, praticamente declarando o fim de sua breve permanência no cargo.
“Honestamente, se eu fosse você, reconsideraria”, afirmou Trump ter dito a Zacharia na manhã desta sexta-feira (16).
Ele acrescentou que conversaria com ela quando retornasse à Casa Branca e deixaria a decisão em suas mãos. No entanto, não pareceu especialmente encorajador em relação à pressionada secretária de imprensa.
“Katie, você precisa disso?”, disse Trump ter perguntado. “Acho que você não precisa disso.”
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Foi uma notável demonstração de falta de confiança em Zacharia, que assumiu o cargo apenas uma semana antes. Sua estreia hesitante na sala de imprensa, na terça-feira, e as persistentes dúvidas sobre sua trajetória profissional provocaram intenso escrutínio da imprensa e de integrantes do próprio círculo de Trump. Uma autoridade da Casa Branca disse à CNN que Zacharia estava “deixando gradualmente” a função de secretária de imprensa, e um assessor de Trump afirmou que ela deixará a Casa Branca nos próximos dias.
Falando enquanto deixava a Casa Branca para participar de um comício político na Geórgia, Trump afirmou que Zacharia havia sido maltratada pela imprensa e a elogiou como uma apoiadora leal.
Mas deixou claro que não acreditava que ela fosse adequada para atuar como principal porta-voz do governo.
“Talvez isso não seja para ela”, admitiu.
Uma fonte próxima ao presidente disse à CNN que Trump continua respeitando e gostando de Zacharia como pessoa e insistiu que a descrição feita pelo presidente da conversa entre os dois foi precisa.
Essa fonte e outra pessoa familiarizada com o assunto também afirmaram que Zacharia e sua família jantariam com o vice-presidente JD Vance e sua família na noite de sexta-feira, na residência oficial do vice-presidente, um sinal de que o governo ainda a considera uma aliada de prestígio.
Zacharia chamou a atenção de Trump como comentarista conservadora na televisão, e sua contratação ocorreu rapidamente depois que outros candidatos foram considerados inelegíveis devido a comentários críticos feitos anteriormente sobre o presidente.
Sua falta de experiência, porém, ficou evidente rapidamente. Na coletiva de imprensa da terça-feira, ela aparentou nervosismo e respondeu apenas a três perguntas. Mais tarde, naquele dia, deu uma resposta confusa ao ser questionada sobre onde havia sido aprovada no exame da Ordem dos Advogados, já que Trump a havia apresentado como “advogada” ao anunciar sua contratação.
Posteriormente, ela explicou em uma série de entrevistas tensas à Fox News que nunca havia passado no exame da Ordem. Também foi vaga ao responder se voltaria à sala de imprensa para novas coletivas.
O episódio ampliou as dúvidas dentro da Casa Branca sobre quanto tempo ela conseguiria permanecer no cargo.
Inicialmente, Trump não considerou o desempenho de Zacharia em sua primeira coletiva tão ruim quanto alguns de seus assessores avaliaram, segundo duas fontes familiarizadas com as discussões. No entanto, as entrevistas que ela concedeu depois — especialmente sua participação, na noite de quinta-feira, no programa de Sean Hannity, da Fox News — e as conversas que o presidente teve posteriormente com aliados o convenceram de que sua permanência no posto era insustentável, acrescentaram as fontes.
Nesta semana, Trump comentou com aliados e assessores que talvez ela “não estivesse pronta para o horário nobre”, relatou uma pessoa com conhecimento direto de suas declarações à CNN.
Sua passagem de apenas cinco dias pelo cargo acabou sendo ainda mais curta que a de Anthony Scaramucci, cuja permanência de 11 dias como diretor de comunicações da Casa Branca, em 2017, passou a ser usada como referência para medir a longevidade de autoridades da Casa Branca envolvidas em controvérsias.
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