Internacional Trump é tachado de 'incitador-chefe' da invasão ao Capitólio

Trump é tachado de 'incitador-chefe' da invasão ao Capitólio

Democratas apresentaram imagens inéditas da ação de apoiadores do ex-presidente no segundo dia de julgamento do impeachment

  • Internacional | Da EFE

Ex-presidente dos Estado Unidos Donald Trump

Ex-presidente dos Estado Unidos Donald Trump

MICHAEL REYNOLDS/EFE/EPA

Os integrantes do Partido Democrata que atuam como "promotores" do segundo julgamento político de Donald Trump no Senado traçaram nesta quarta-feira (10) o perfil do ex-presidente norte-americano como o "incitador-chefe" da multidão que invadiu o Capitólio e o acusaram de estimular deliberadamente a violência para tentar permanecer no poder.

No segundo dia do julgamento contra Trump, os democratas mostraram imagens inéditas do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro, e articularam um forte caso contra o ex-presidente, acusado de "incitar uma insurreição" de seus seguidores. A invasão terminou com cinco mortes, incluindo a de um policial.

"As provas mostrarão que Donald Trump abdicou de seu papel de comandante-chefe e se tornou o incitador-chefe de uma perigosa insurreição", declarou o líder dos democratas no julgamento, Jamie Raskin.

"Ele (Trump) disse aos apoiadores para lutarem como se fosse o inferno, e naquele dia eles proporcionaram o inferno para nós no Capitólio", acrescentou.

Vídeos inéditos da invasão

No plenário do Senado, onde está ocorrendo o julgamento, os "promotores" projetaram vídeos gravados em 6 de janeiro pelas câmeras de segurança do Capitólio que até agora não tinham sido exibidas publicamente, além de gravações inéditas das comunicações de rádio da polícia no dia.

Esses documentos lhes permitiram reconstruir, passo a passo, o extraordinário ataque, desde o momento em que vários partidários do ex-presidente quebraram as janelas do Capitólio e tomaram o prédio de assalto enquanto os congressistas e senadores estavam reunidos para ratificar a vitória eleitoral de Joe Biden.
 

Os vídeos das câmeras de segurança, combinados com outros gravados pela imprensa e pelos próprios invasores, mostraram o quanto os apoiadores do Trump chegaram perto do então vice-presidente, Mike Pence, de quem pediram o enforcamento por ter se negado a impedir o Congresso de certificar a vitória de Biden.

"Podemos ouvir a multidão pedindo a morte do vice-presidente dos Estados Unidos", destacou outra democrata, Stacey Plaskett, delegada do partido na Câmara dos Deputados.

Pence e Pelosi encurralados

Os vídeos também mostraram como o pessoal do gabinete da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, precisou se proteger pouco antes de a multidão chegar ao escritório da congressista democrata. "A multidão a teria matado se a tivessem encontrado", acredita Plaskett. "O Presidente Trump colocou um alvo nas costas deles (Pence e Pelosi) e enviou uma multidão ao Capitólio para caçá-los", completou.

Os "promotores" também projetaram um vídeo gravado pela câmera ligada ao uniforme de um policial, mostrando como a multidão o espancou enquanto ele estava no chão, e revelaram como os agentes destacados perto do Capitólio pediram reforços quase meia hora antes de a multidão entrar no edifício.

Trump "construiu" multidão

Os "promotores" argumentaram que, com suas alegações sem provas de fraude eleitoral, Trump durante semanas cultivou as sementes do ataque ao Capitólio e, depois de provocar a fúria de seus eleitores, pressionou-os a agir. Ele inclusive discursou no dia da invasão e convocou seus seguidores a marcharem rumo ao Congresso.

"(Trump) Construiu esta multidão durante muitos meses, repetindo as mesmas mensagens até acreditarem que seus votos tinham sido roubados, e os usou para que ele pudesse usá-los para roubar a eleição", resumiu o democrata Eric Swalwell.

Outro dos "promotores", o congressista Ted Lieu, alegou que Trump recorreu à raiva de seus partidários porque "tinha ficado sem opções não violentas para permanecer no poder", depois de pressionar sem sucesso funcionários em estados-chave para contestarem o resultado do pleito de 3 de novembro.

O colega democrata Joe Neguse afirmou que o ataque era "previsível" dados os comentários do republicano e considerou que as reclamações de fraude foram uma convocação para pegar em armas.

Acusação e jurados foram vítimas do ataque

Além de ser o primeiro julgamento político na história dos EUA envolvendo um presidente que não está mais no cargo, o processo é extraordinário porque tanto a acusação - composta por nove congressistas - quanto o júri - composto por 100 senadores - também são vítimas dos eventos que estão sendo examinados.

Isso provocou vários momentos emocionantes durante o argumento do "procurador", e uma delas, Madeleine Dean, ficou com a voz trêmula ao descrever o medo que sentiu quando a multidão bateu nas portas da Câmara dos Deputados. "Nunca vou me esquecer desse som", confessou.

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