Trump vai usar arco de Washington como complexo militar para drones e atiradores
Iniciativa faz parte de plano para reformular monumentos da capital dos EUA, mas enfrenta resistência por falta de justificativa clara
Internacional|Da Reuters
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O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo (20) que o arco do triunfo que planeja construir próximo ao Cemitério Nacional de Arlington, em Washington, funcionaria também como um “complexo militar” para abrigar drones e atiradores de elite, além de armazenar grandes quantidades de munição.
O presidente citou preocupações com a segurança nacional para explicar a medida, repetindo a justificativa apresentada para o complexo de salões de baile de aproximadamente US$ 400 milhões que está sendo construído no local da antiga Ala Leste da Casa Branca. Ele não divulgou nenhuma ameaça específica.
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Os projetos fazem parte do ambicioso esforço de Trump para remodelar Washington, incluindo uma iniciativa para adicionar seu nome ao Centro John F. Kennedy de Artes Cênicas. Os planos têm gerado críticas de preservacionistas e especialistas, que argumentam que o novo desenho poderia alterar ou diminuir a importância de marcos históricos.
Complexo ‘de alto nível’
Em uma postagem nas redes sociais, Trump afirmou que, a pedido “veemente” das Forças Armadas, ele concordou em transformar o arco de 250 de 76 metros “em um complexo militar de alto nível/Arco do Triunfo, para abrigar, armazenar e ter a capacidade de utilizar rapidamente um grande número de drones, além de atiradores de elite, tanto no telhado quanto na praça, e, adicionalmente, armazenar grandes quantidades de munição para atiradores de elite”.
Um oficial das Forças Armadas dos EUA disse à reportagem que o Departamento de Defesa não tinha nada a acrescentar além da postagem de Trump nas redes sociais. A Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário.
Dúvidas sobre utilidade
Trump evitou explicar por que tais recursos seriam necessários no arco. O salão de baile da Casa Branca por ele proposto já foi apresentado como uma instalação para drones destinada a proteger Washington.
Mark Cancian, coronel reformado do Corpo de Fuzileiros Navais, afirmou que a medida parece ter como objetivo contrapor a oposição ao projeto do arco, planejado para uma rotatória próxima ao Cemitério Nacional de Arlington — a cerca de 1,6 km de Fort Myer, uma instalação ativa do Exército, e a aproximadamente 3,2 km do Pentágono.
“Parece algo acrescentado para reforçar a justificativa da construção”, disse Cancian, consultor sênior do programa de Defesa e Segurança do CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais), instituto sediado em Washington.
“Já existe essa instalação militar (Fort Myer), estabelecida há muito tempo e com diversas capacidades militares, a apenas 1,6 km de distância. Portanto, não fica claro por que seria necessária essa nova estrutura.”
Cancian também observou que armazenar munição no arco criaria desafios logísticos e questionou a utilidade de posicionar atiradores de elite no local.
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