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Tymoshenko e a personificação da resiliência na política ucraniana 

Ex-primeira-ministra é uma das preferidas à presidência. Carreira política começou em 1997, no Parlamento, quando teve mais de 90% dos votos

Internacional|Da EFE

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Ex-primeira-ministra é uma das preferidas à presidência
Ex-primeira-ministra é uma das preferidas à presidência

Considerada por muitos na Ucrânia como a personificação da resiliência na complexa política nacional, Yulia Tymoshenko ficou marcada por discursos duros que a transformaram em uma das personalidades mais carismáticas da história pós-soviética do país.

Aos 58 anos, a ex-primeira-ministra agora tenta chegar à presidência e está entre as favoritas para vencer as eleições do próximo domingo.

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"Ela é o único 'homem' na política ucraniana", definiu certa vez, de forma polêmica, o ex-presidente Leonid Kuchma ao ressaltar a personalidade forte de Tymochenko.

De ascendência letã por parte de pai e ucraniana pelo lado da mãe, a ex-premiê nasceu em Dnipropetrovsk, no leste do país, onde se formou em Economia. Em 1991, ano da queda da União Soviética, ela fundou com o marido, Vladimir, a Ukrainski Benzin ("Gasolina Ucraniana", que se tornaria a Sistemas Energéticos Unidos da Ucrânia.

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A empresa, de acordo com ela, foi transformada em "terra arrasada" pelas autoridades.

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A indignação alçou Tymoshenko à carreira política. Em 1997, a ex-empresária conquistou uma cadeira na Rada Suprema, o parlamento do país, com mais de 90% dos votos. A ascensão que se seguiu foi meteórica.

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No ano seguinte, Tymoshenko foi escolhida para comandar o Comitê Orçamentário do Legislativo, promovendo uma série de importantes reformas. Em 1999, participou da fundação do Batkivschina e tornou-se líder do partido.

O sucesso chama a atenção. A hoje candidata à presidência foi nomeada vice-primeira-ministra, ficando responsável pelo setor elétrico do país, cargo que exerceu até 2001, quando foi destituída após divergências com Kuchma.

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Um mês depois, Tymoshenko acabou presa provisoriamente, acusada de contrabando de gás e evasão tributária. Após 42 dias na cadeia, um tribunal decidiu que as denúncias contra ela eram inconsistentes.

Então uma líder opositora de peso, Tymoshenko recusou-se a se candidatar à presidência em 2004 e decidiu apoiar Viktor Yushchenko, que enfrentou no segundo turno o então primeiro-ministro do país, Viktor Yanukovich.

Yanukovich venceu com uma vantagem de três pontos percentuais, mas seus adversários denunciaram uma fraude e convocaram manifestações.

Tymoshenko então passou a ser principal liderança da "Revolução Laranja", com seus discursos diários, incentivando dezenas de milhares de pessoas a ocuparem a Praça da Independência de Kiev.

Os protestos fizeram com que a Justiça determinasse a repetição das eleições. Yushchenko venceu e nomeou Tymoshenko como primeira-ministra, mas a caminhada no governo durou só oito meses.

Quem exerceu um papel-chave para a saída de Tymoshenko é o atual presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, que tentará a reeleição e na época era secretário do Conselho de Segurança e Defesa.

A ex-primeira-ministra voltou ao cargo em 2007 e conseguiu costurar um acordo com a Rússia para encerrar a "guerra do gás" entre os dois países, o que provocou a paralisação do abastecimento para a Europa.

Tymoshenko tentou assumir a presidência em 2010, mas foi derrotada por Yanukovich nas eleições daquele ano.

Pouco depois de Yanukovich assumir o poder, o Ministério Público abriu várias investigações contra a ex-primeira-ministra. Em outubro de 2011, ela foi considerada culpada por abuso de poder e condenada a sete anos de prisão.

Na cadeia, Tymoshenko realizou várias greves de fome, enquanto a União Europeia (UE) e várias organizações internacionais exigiam a liberdade da ex-premiê por considerar que sua prisão foi política.

No dia 22 de fevereiro de 2014, o mesmo em que Yanukovich foi cassado pelo parlamento após uma insurreição popular, Tymoshenko foi libertada e voltou à luta política.

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