Internacional Uma festa de Pessach, a Páscoa Judaica, diferente

Uma festa de Pessach, a Páscoa Judaica, diferente

Devido às precauções para evitar a transmissão do coronavírus, a celebração de muitas famílias não contará com a presença dos anciãos

Por Alon Lavi*

Este ano, passaremos uma festa de Pessach, a Páscoa judaica, diferente. Devido às precauções que o mundo está tomando para evitar uma transmissão ainda maior do coronavírus, a celebração de muitas famílias não contará com a presença dos anciãos, que são os mais vulneráveis à COVID-19, para a tradicional ceia. A recomendação é a de que seja uma comemoração limitada ao núcleo familiar.

Repleto de simbolismos, Pessach tem como um dos objetivos ensinar às crianças sobre a saída do povo hebreu do Egito, depois de dois séculos de escravidão, para a liberdade. Desse modo, o início da história do povo judeu é passado de geração em geração. E, certamente, a presença dos nossos pais e avós é essencial neste momento que traz um dos temas centrais do judaísmo.

Festa lembra a saída dos hebreus do Egito

Festa lembra a saída dos hebreus do Egito

Eugenio Goussinsky/R7

A participação dos anciãos das famílias é tão importante que, em Israel, alguns rabinos que proíbem o uso de eletrônicos durante o Shabat e em festas judaicas estão permitindo a utilização de aplicativos de chamada de vídeo durante Pessach para os avós poderem se conectar com os filhos e com os netos, repassando seu conhecimento e recebendo todo o amor da família.

Esse vírus apareceu para mudar muita coisa. Ainda não sabemos como o mundo será quando isso acabar, mas esta crise sem precedentes está servindo para nos mostrar o valor da presença física de nossos entes queridos, justamente em um momento em que a maioria de nós pouco a valorizava, sempre em contato com todos por meio de aparelhos celulares e, muitas vezes, priorizando o contato virtual em detrimento da conversa e da conexão com os presentes fisicamente.

Essa pandemia chegou para nos forçar a ficar longe de nossos entes queridos e, ao mesmo tempo, nos lembrar o quão bom e importante é estar perto deles.
Este ano, podemos usar Pessach não apenas para relembrar a nossa história, mas também para refletir sobre o nosso futuro.

O que podemos aprender com esta situação totalmente nova para todos? Como podemos evoluir como indivíduos, como família e como sociedade? Com certeza, sairemos desta experiência transformados. Há uma frase famosa em Israel que diz: "Se superamos a época do Faraó, superaremos essa fase também". É o que esperamos. Feliz Pessach e feliz Páscoa aos nossos irmãos cristãos! E cuidem dos seus idosos!

*Cônsul Geral de Israel em São Paulo e Sul do Brasil

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