Veja o que se sabe sobre o tiroteio que deixou quatro mortos em uma lancha em Cuba
Autoridades dos EUA também buscam averiguar o ocorrido e prometem responder de acordo com os detalhes da operação
Internacional|Gonzalo Zegarra, da CNN Internacional
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O chanceler de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou nesta quinta-feira (26) que o governo está realizando “uma investigação rigorosa para esclarecer os fatos” após a operação que deixou pelo menos quatro mortos e sete feridos por um confronto com uma “lancha infratora” vinda da Flórida que, segundo as autoridades da ilha, busca se infiltrar “com fins terroristas”.
O Governo do presidente Miguel Díaz-Canel detalhou a lista de tripulantes, enquanto o Departamento de Estado dos EUA indicou que também buscará averiguar o que aconteceu e responderá “em consequência”.
Em seu primeiro relatório, o Ministério do Interior cubano informou a detecção de uma lancha rápida com matrícula da Flórida em suas águas territoriais, a 1,852 quilômetro ao nordeste de Cayo Falcones, na província de Villa Clara.
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O comunicado detalhou que da lancha abriram fogo quando uma unidade das Tropas Guarda-fronteiras se aproximou para sua identificação, deixando ferido o comandante da embarcação cubana.
No confronto, “quatro agressores foram mortos e seis feridos, que foram evacuados e receberam assistência médica”, acrescentou o Ministério.
Posteriormente, as autoridades disseram em outro comunicado que a lancha transportava 10 pessoas armadas e que, segundo declarações preliminares, “tinham intenções de realizar uma infiltração com fins terroristas”.
Além disso, informaram a apreensão de fuzis de assalto, armas curtas, coquetéis molotov, coletes à prova de balas, miras telescópicas e uniformes de camuflagem.
“Cuba não agride, nem ameaça. Expusemos isso em reiteradas ocasiões e o ratificamos hoje: Cuba se defenderá com determinação e firmeza diante de qualquer agressão terrorista e mercenária que pretenda afetar sua soberania e estabilidade nacional”, publicou Díaz-Canel em sua conta no X.
O segundo comunicado incluiu uma lista de nomes de pessoas que viajavam na lancha, com matrícula FL7726SH.
“Todos os participantes são cubanos residentes nos EUA. A maioria deles com um histórico conhecido de atividade criminosa e violenta”, assegurou o Ministério.
O comunicado acrescentou que dois deles figuram na lista nacional de pessoas que foram submetidas a investigações criminais e encontram-se procuradas “a partir de seu envolvimento na promoção, planejamento, organização, financiamento, apoio ou comissão de ações materializadas no território nacional ou em outros países, em função de atos de terrorismo”.
Entre os quatro mortos, as autoridades nomearam um e acrescentaram que estão trabalhando para a identificação dos outros três.
Além disso, informaram a detenção de um homem que, segundo o Ministério, foi “enviado dos EUA para garantir o recebimento da infiltração armada”. A CNN Internacional solicitou comentários à Casa Branca pela declaração cubana.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou na quarta-feira (25) que seu país responderá “em consequência” quando dispuser dos detalhes da operação.
“Não vou especular nem opinar. Vamos averiguar exatamente o que aconteceu e responderemos como corresponde”, declarou à imprensa durante uma cúpula da Comunidade do Caribe em São Cristóvão e Névis.
O chefe da diplomacia estadunidense descartou a participação de pessoal do Governo dos EUA no tiroteio e disse que a embaixada estadunidense em Havana solicitou acesso aos sobreviventes da lancha, supostamente cidadãos estadunidenses ou com residência permanente, para conhecer sua situação.
Rubio enfatizou que Washington busca “informação independente” para verificar os fatos e negou que tenha conversado sobre o tema com as autoridades cubanas.
Por sua vez, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou a abertura de uma investigação sobre o assunto.
“Não se pode confiar no Governo cubano e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para que estes comunistas prestem contas”, disse em suas redes sociais.
O incidente ocorreu em meio a uma forte tensão entre os EUA e Cuba, depois que a Casa Branca impôs um bloqueio petrolífero e instou o governo de Díaz-Canel a chegar a um acordo.
No entanto, não é um caso atípico na zona. O Ministério do Interior de Cuba disse que em 2022 interceptou 13 lanchas rápidas estadunidenses com 23 tripulantes, a quem acusou de “realizar operações de tráfico de pessoas” que levavam pessoas de Cuba para os EUA.
Em uma dessas operações, em 18 de junho, as autoridades informaram que um tripulante de uma “lancha intrusa” abriu fogo com um fuzil automático e feriu um dos oficiais.
“Cuba teve que enfrentar inúmeras infiltrações terroristas e agressivas procedentes dos EUA desde 1959, com um alto custo em vidas, feridos e danos materiais”, disse o chanceler Rodríguez nesta quinta-feira.
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