Internacional Viena sofre seu primeiro ataque terrorista após 40 anos

Viena sofre seu primeiro ataque terrorista após 40 anos

População aproveitava a última noite de passeio antes de um novo fechamento de bares, restaurantes e centros culturais devido à covid-19

  • Internacional | Da EFE

Polícia checa homem que transitava perto do local do atentado em Viena

Polícia checa homem que transitava perto do local do atentado em Viena

Lisi Niesner/ Reuters/ 02.11.2020

Muitos vienenses saíram na segunda-feira (2) para aproveitar sua última noite antes do segundo bloqueio do coronavírus, que começa esta meia-noite, mas o que seria um momento para tomar uma cerveja ou um show se tornou o maior pesadelo terrorista da cidade em 40 anos.

Por volta das 20h00 locais (19h00 GMT), vários supostos terroristas começaram a atirar contra pessoas sentadas nos terraços e dentro de bares e restaurantes no coração da cidade, a poucos metros da Sinagoga Central de Viena.

À meia-noite, as autoridades confirmaram pelo menos 15 feridos, incluindo sete gravemente, bem como duas mortes, incluindo um dos agressores. A polícia continua a procurar outros terroristas "fortemente armados".

Centenas de tiros

Testemunhas dos acontecimentos, como o rabino Schlomo Hofmeister, disseram à Efe que ouviu "cem tiros" nos primeiros momentos do ataque.

"Pelo menos um atacante atirou em pessoas que estavam sentadas em frente a bares e restaurantes. As pessoas correram em pânico e correram para dentro, mas o atacante seguiu e atirou dentro também", disse Hofmeister.

Vídeos que circulam nas redes sociais, gravados por vizinhos de casa, mostram como um atacante atira em um transeunte, bem em frente à entrada principal da sinagoga.

O presidente da comunidade judaica de Viena, Oskar Deutsch, disse à televisão pública ORF que a sinagoga estava fechada no momento do ataque, assim como os escritórios da comunidade e o restaurante kosher vizinho, descartando assim um ataque exclusivo contra essa minoria.

Refugiados em bares e restaurantes

Em outro vídeo, filmado de dentro de um restaurante na Praça da Suécia (Schwedenplatz), um policial de Viena é visto sendo morto a tiros por um rifle semiautomático.

Centenas ou milhares de pessoas se refugiaram no interior das instalações e restaurantes próximos à sinagoga e também na Catedral de Viena antes dos tiros dos agressores.

Jasmin, vienense de 17 anos, explicou à Efe de dentro de um restaurante no centro de Viena que por volta das 20h ela viu como as pessoas começaram a sair correndo da área.

“E de repente apareceram muitos policiais fortemente armados, pedindo às pessoas que entrassem nos restaurantes”, disse a jovem, que ainda estava dentro do restaurante localizado a poucos metros do início do ataque armado por volta da meia-noite.

Ruas do entorno de onde aconteceram os ataques estão fechadas pela polícia

Ruas do entorno de onde aconteceram os ataques estão fechadas pela polícia

Lisi Niesner/ Reuters/ 02.11.2020

Saída com escolta

A algumas centenas de metros de distância está a famosa Ópera Estatal de Viena, onde a última apresentação antes do bloqueio foi apresentada hoje, com o teatro fechado até pelo menos 30 de novembro.

Os 1.000 participantes do show ainda estavam dentro do teatro por volta da meia-noite por razões de segurança, de acordo com uma das pessoas detidas lá disse à Efe.

O mesmo acontece em outras salas de concerto da capital, como a Konzerthaus ou a Musikverein, localizadas a poucas centenas de metros do local. Os espectadores saíram escoltados de dentro do teatro.

Uma das cidades mais seguras

De acordo com a polícia de Viena, os tiros foram disparados em seis locais diferentes do centro da cidade, considerado até agora como um dos mais seguros e silenciosos da Europa.

O último ataque terrorista em Viena foi em 29 de agosto de 1981, precisamente contra a sinagoga central (Stadttempel), onde um comando de terroristas palestinos matou duas pessoas.

A capital austríaca, com cerca de 2 milhões de habitantes, é um dos três centros das Nações Unidas e sedes de outras organizações internacionais, como a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) ou a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Há vários anos, a cidade lidera as listas internacionais de qualidade de vida, entre outras, também pela segurança cidadã e pela ausência de ataques terroristas.

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