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Vitória de ex-rebelde em El Salvador é irreversível, diz comitê eleitoral

Internacional|Do R7

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Por Nelson Renteria e Michael O'Boyle

SAN SALVADOR, 10 Mar (Reuters) - A estreita vantagem de um ex-guerrilheiro marxista nas eleições presidenciais de El Salvador é irreversível, disse o tribunal eleitoral do país nesta segunda-feira, mesmo que seu adversário de direita tenha se declarado vitorioso.

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A disputa aumenta a perspectiva de desafios legais. No entanto, é certo que o vencedor terá um mandado fraco para governar.

Salvador Sánchez Ceren, da governista Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) --que como grupo rebelde combateu uma série de governos pró-EUA na guerra civil de 1980 a 1992--, conseguiu 6.634 votos de vantagem sobre seu adversário Norman Quijano com 100 por cento das urnas apuradas.

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No entanto, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) não dará o resultado como conclusivo até que a procuradoria faça uma revisão detalhada de todo o processo eleitoral, incluindo 14 urnas não processadas e que continham diversas irregularidades.

Após esse processo, que levará vários dias, o TSE vai anunciar o vencedor da eleição, que foi muito disputada, apesar de as pesquisas apontarem vitória confortável de Sánchez.

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"Lhes digo com certeza que o resultado dessa eleição é irreversível, mas devemos cumprir a etapa legal de revisar, como manda a lei, documento por documento", disse o presidente do TSE, Eugenio Chicas.

"Em três ou quatro dias teremos um resultado definitivo, que esse, em lei, estabelecerá definitivamente um vencedor", acrescentou, se referindo à contagem dos votos do segundo turno da eleição, que deu a Sánchez 50,11 por cento dos votos contra 49,89 por cento de Quijano, candidato pela direitista Aliança Republicana Nacionalista (Arena).

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Sánchez Ceren fez imediatamente uma entrevista coletiva ao lado de seu vice Oscar Ortiz, ratificando sua vitória e chamando a Arena para trabalhar junto com ele.

"O mandato dado pelo povo salvadorenho é para que nos entendamos", disse o ex-líder rebelde.

"Vamos governar para todos, para aqueles que votaram em nós e para os que não votaram", disse o atual vice-presidente, de 49 anos, a simpatizantes.

Quijano, de 67 anos, ex-prefeito de San Salvador, apontou fraude e disse ser o verdadeiro vencedor.

A FMLN e a Arena foram inimigas ferozes durante a guerra civil que matou cerca de 75.000 pessoas.

Quijano acusou o tribunal eleitoral de corrupção e insinuou jogo sujo.

"Não vamos permitir a fraude... Estamos 100 por cento convencidos de que vencemos", disse Quijano. "Não vão nos roubar a vitória. Vamos brigar, se necessário com as nossas vidas."

Sánchez Ceren havia tido 49 por cento dos votos no primeiro turno, em fevereiro, dez pontos percentuais a mais do que o rival. Como ficou a apenas um ponto percentual de evitar o segundo turno, era visto como amplo favorito para a votação de domingo.

Mas Quijano cresceu no último mês entre os conservadores moderados, ao retratar seu rival como um comunista com sangue nas mãos, disposto a promover uma guinada à esquerda e impor políticas radicais.

No primeiro turno, a principal promessa de campanha do opositor era colocar o Exército nas ruas para combater as quadrilhas conhecidas como "maras". Na reta final, ele alterou sua estratégia e passou a alertar para o risco de "venezuelização" de El Salvador.

Mas Sánchez Ceren - que é o nono filho de um carpinteiro e foi professor rural antes de aderir à guerrilha - e outros líderes da FMLN moderaram suas políticas desde os acordos de paz de 1992, quando a guerrilha virou partido político.

Se confirmada, a vitória de Sánchez Ceren dá um segundo mandato consecutivo à FMLN. O afável vice-presidente, de 69 anos, promete ampliar os programas sociais do atual presidente, Mauricio Funes, o que inclui a distribuição de um copo de leite por dia a crianças nas escolas, além de uniformes e materiais.

A FMLN diz que suas políticas sociais no governo Funes reduziram a pobreza de 40 para 29 por cento. Mas esses programas contribuíram com uma forte elevação na dívida nacional, e o crescimento econômico tem sido fraco.

(Reportagem adicional de Noe Torres, em San Salvador, e Dave Graham, Miguel Gutierrez, Alexandra Alper e Julia Symmes Cobb)

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